Cientistas criam novo método para detectar trombose venosa

Nova técnica é precisa e não invasiva

16 janeiro 2002
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Foi anunciada na passada segunda-feira a descoberta de um método mais rápido e mais preciso para detectar uma eventual trombose profunda – doença súbita fatal causada pela formação de coágulos sanguíneos que se podem formar durante viagens de longa duração.
 

 

Ao contrário das técnicas tradicionais utilizadas para diagnosticar uma situação de trombose, técnicas essas que monitorizam o fluxo sanguíneo para detectar sinais de bloqueio na corrente sanguínea, o novo método consiste na aplicação de sofisticadas técnicas de imagem, obtidas por ressonância magnética directa, que mostram os coágulos (trombos) com uma localização muito precisa.
 

 

Este novo meio de diagnóstico foi desenvolvido por um grupo de investigadores da Universidade de Nottingham, coordenados por Alan Moody, que pensam que este novo exame pode ser muito útil para ajudar a detectar mais atempadamente possíveis problemas de trombose em mulheres grávidas e em viajantes.
 

 

«Síndrome da classe económica»
 

 

A trombose venosa profunda pode ocorrer em qualquer viagem em que o passageiro tenha de permanecer sentado durante longos períodos de tempo, praticamente imóvel, num espaço que o obrigue a manter as pernas dobradas. Nestas condições existe uma possibilidade real de formação de coágulos sanguíneos (ou trombos) nas pernas que podem deslocar-se para os pulmões provocando uma embolia pulmonar potencialmente fatal.
 

 

Esta condição é vulgarmente descrita como o «síndroma da classe económica» das viagens de avião mas, como já se disse, pode ocorrer em qualquer viagem que o obrigue à imobilidade prolongada. Qualquer pessoa pode ser afectada por uma trombose venosa profunda mas as grávidas e as pessoas que sofram de qualquer problema relacionado com o sistema circulatório (varizes, flebites, taquicardia, etc.), os fumadores, e as pessoas obesas correm riscos acrescidos.
 

 

Novo método não é invasivo
 

 

Para Moody, a grande vantagem da nova técnica é o facto de «ser um método não invasivo rápido e fiável», declarou à agência Reuters. De facto, as técnicas actualmente disponíveis para detectar trombos nos vasos sanguíneos – ultrassonografia venosa, ou venografia - implicam a introdução de catéteres nas veias e, portanto, são métodos invasivos, morosos e nem sempre fiáveis. É particularmente difícil detectar situações de trombose durante a gravidez e ainda mais se o trombo se localizar na região pélvica.
 

 

De acordo com Moody e seus colaboradores, este método é «muito sensível e permite diagnosticar uma trombose ainda nas fases iniciais do seu desenvolvimento quando surgem dores nas pernas, por exemplo. O diagnóstico feito nesta fase permite o tratamento imediato da situação impedindo a migração do trombo para os pulmões.
 

 

O estudo relativo à aplicação desta nova técnica é descrito num artigo publicado pela revista Annals of Internal Medicine onde os autores referem que o novo método poderá ajudar as pessoas com maiores riscos para sofrerem de trombose venosa profunda.
 

 

De modo a prevenir situações de trombose venosa profunda, tanto os médicos como as companhias de aviação aconselham os passageiros a exercitarem as pernas com frequência, a beberem bastante água a não ingerir álcool durante as viagens de longa duração.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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