Cientistas criam aparelho de baixo custo para controlar computador com olhar

Avanço tecnológico divulgado na publicação “Journal of Neural Engineering”

17 julho 2012
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Tecnologia low-cost constituída por um aparelho de deteção do olhar e software inteligente apresentada no “Journal of Neural Engineering” por investigadores do Imperial College London, no Reino Unido, pode ajudar milhões de pessoas com graves limitações motoras a interagir não só com computadores, mas com o meio circundante utilizando apenas o olhar.

 

O aparelho, denominado GT3D, é composto por duas câmaras de videojogos, de cerca de 20 euros cada, montadas numa simples armação de óculos, de cerca de cinco euros, fora da linha de visão. As câmaras tiram fotos sucessivas aos olhos, detetando o local para onde as pupilas estão a apontar. A partir destas imagens são usadas calibrações para calcular o local exato para onde o olhar está a ser dirigido. Além disso, a calibração consegue ainda determinar a distância à qual o olhar está a ser dirigido. Isto poderá, por exemplo, permitir controlar uma cadeira de rodas direcionando simplesmente o olhar para o local para onde se pretende deslocar assim como controlar uma prótese robótica de um braço.

 

A eficácia deste aparelho foi demonstrada através de um videojogo de ténis de mesa. Neste jogo, os participantes tinham de utilizar apenas o olhar para movimentar a raquete e bater na bola que saltitava no monitor – um feito considerado difícil de atingir com outros mecanismos, tais como aparelhos de leitura de ondas cerebrais. Os seis jogadores que participaram nesta demonstração conseguiram obter resultados semelhantes a 20% dos jogadores que utilizaram mecanismos normais após 10 minutos de utilização do aparelho pela primeira vez.

 

O sistema GT3D conseguiu também ultrapassar o denominado “Problema do Toque de Midas”, permitindo aos utilizadores clicar num item do ecrã utilizando o olhar em vez de um rato. Este problema já tinha sido resolvido no passado direcionando o olhar para um ícone de forma prolongada ou através do piscar de olhos. Contudo, estas soluções não eram ideais, especialmente a última, por se tratar de um comportamento natural e que ocorre muitas vezes sem intenção. Em vez disso, os cientistas calibraram o sistema para que um simples piscar de olhos voluntário representasse o clique de um rato.

 

Aldo Faisal, professor de Neurotecnologia no Imperial College London, afirmou que se conseguiram dois feitos: “construímos um sistema 3D de deteção do olhar centenas de vezes mais barato do que sistemas comerciais e usámo-lo para construir uma interface entre o cérebro e a máquina, em tempo real, que permite que os pacientes interajam de forma mais simples e rápida do que tecnologias invasivas atuais que são dezenas de milhares de vezes mais dispendiosas.” 

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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