Cientistas conseguiram provocar o suicídio de células cancerosas
23 novembro 2001
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Um grupo de investigadores escoceses anunciaram na passada quinta-feira que desenvolveram uma nova terapia que provoca o suicídio das células cancerosas sem prejudicar as estruturas saudáveis.
 

 

Os cientistas dos Cancer Research Campaign Beatson Laboratories, em Glasgow, o maior centro de pesquisa em oncologia da Escócia, afirmaram que este tratamento também poderá eliminar os efeitos colaterais nocivos provocados pelos medicamentos actualmente drogas actuais de combate a doença.
 

 

Esta investigação foi coordenada por Nicol Keith, que acredita que esta pesquisa representa uma descoberta importante na medida em que traz implicações no tratamento de uma significativa variedade de cancros comuns.
 

 

De acordo com este especialista, os testes laboratoriais mostraram que este tratamento é eficaz no tratamento do cancro do pulmão, cólon, ovário, bexiga e cancro cervical – normalmente os tipos mais fatais. Em entrevista à Reuters Health, N. Keith afirmou que a sua equipa espera que esta nova terapia possa vir a ser útil no combate de outras formas de cancro, incluindo o da mama.
 

 

Como se consegue convencer uma célula ao suicídio?
 

 

Os cientistas estudaram o comportamento de certos genes nas células cancerosas e conseguiram provocar o seu suicídio. O grupo coordenado por N. Keith dedica-se já há algum tempo ao estudo da actividade da enzima telomerase.
 

 

Desde que uma célula nasce e até à sua morte, os seus cromossomas encurtam. Isto acontece porque as suas extremidades, os telómeros, sofrem uma espécie de digestão por parte da enzima telomerase. Nas células normais, a quantidade de telomerase aumenta à medida do seu envelhecimento, o que indica que a actividade do gene codificador desta enzima também aumenta. Também se verifica que à medida que aumenta a quantidade de telomerase nas células, a sua capacidade de divisão diminui e a célula morre.
 

 

De acordo com estes investigadores, mais de 80% dos cancros humanos devem-se à inactivação do gene codificador da telomerase. Assim, para que as células tumorais se imortalizem, é necessário que o gene da telomerase se mantenha inactivo. E é mesmo isso que acontece na maior parte dos tumores. Enquanto aquele gene se mantiver inactivo, as células podem multiplicar-se livremente e, desta forma, imortalizarem-se.
 

 

A equipa de N. Keith conseguiu «persuadir» as células cancerosas a activarem um outro gene suplantando, dessa forma, a inactividade do gene codificador da telomerase. Eles copiaram o mecanismo de activação do gene da telomerase e aplicaram-no a outro gene.
 

 

No fundo, os cientistas conseguiram «enganar» as células cancerosas. Enquanto o gene codificador da telomerase permanece inactivo, um outro gene, modificado com o mecanismo de activação para a produção da enzima, entra em actividade. Desta forma, a célula consegue produzir a telomerase necessária para que as células cumpram o seu ciclo de vida e morram.
 

 

Este grupo de investigação está actualmente a tentar conseguir o apoio de companhias farmacêuticas para darem continuidade à sua pesquisa com testes clínicos. Se tudo correr como prevêem, «os primeiros testes em seres humanos poderão começar dentro de dois ou três anos e, se assim for, esta terapia poderá estar disponível dentro de cinco anos», afirmou N. Keith.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet
 

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