Cientista português descobre mecanismo que afeta memória dos doentes de Parkinson

Estudo publicado no Journal of Neuroscience

24 agosto 2012
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Uma equipa de investigadores liderada por Tiago Fleming Loureiro identificou o funcionamento de uma proteína que interfere na comunicação entre células do cérebro, os neurónios, e afeta a memória dos doentes de Parkinson.

 

Conduzido no Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina de Lisboa, a descoberta deste mecanismo poderá permitir testar novos medicamentos para evitar estes problemas.

 

Estudos recentes tinham demonstrado que uma das proteínas associadas à doença de Parkinson é detetada também fora dos neurónios mas desconheciam-se quais as consequências ou o tipo de formas mais problemáticas da proteína.

 

A equipa de investigadores testou o efeito de três aglomerados da proteína alfa-sinucleína fora das células, no contexto da função neuronal. "Vimos que apenas um tipo específico destas formas da proteína, os oligomeros de alfa-sinucleína, é capaz de afetar a comunicação neuronal, ao afetar a transmissão sináptica", explicou Tiago Outeiro. "Foi na zona do hipocampo, associada à formação da memória, por exemplo, que detetamos estes efeitos e foi aí que focamos este estudo para perceber de que forma esta proteína causa problemas", continuou.

 

Quando os neurónios no cérebro não comunicam de forma eficiente ou normal começam a surgir problemas relacionados com vários tipos de doença, como a doença de Parkinson, e parte dos doentes acaba por desenvolver problemas cognitivos, de memória, de aprendizagem ou psicológicos.

 

Segundo o cientista a intervenção ao nível dos sintomas da doença de Parkinson “não tem sido possível porque não se conheciam esses mecanismos”. Esta investigação abre "uma enorme perspetiva para podermos intervir a este nível, quer tentando impedir a acumulação desta proteína fora das células, porque sabemos que aí está a causar estes problemas, quer utilizando fármacos, drogas, que possam interferir com estas proteínas, modelando a comunicação neuronal”, comenta ainda Tiago Outeiro.

 

"Há uma oportunidade muito grande de se testarem novos fármacos para aspetos particulares da doença, até agora menos possíveis de ser tratados, e corrigir defeitos na comunicação neuronal e encontrar fármacos que possam evitar a acumulação destes oligomeros de alfa-sinucleína que se acumula nos cérebros dos doentes de Parkinson", concluiu.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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