Cientista demite-se da revista que publicou trabalho sobre clonagem de embrião humano
05 dezembro 2001
  |  Partilhar:

O anúncio da criação do primeiro embrião humano clonado, feito há nove dias, já produziu a primeira vítima. John Gearhart, um reputado cientista da Universidade Johns Hopkins (EUA), pediu a demissão por causa da falta de transparência no processo de avaliação prévia do trabalho.
 

O artigo científico sobre a clonagem de um ser humano adulto foi publicado na revista Online "e-biomed: The Journal of Regenerative Medicine”, a 25 de Novembro. Mas John Gearhart aponta «falta transparência nas informações» do trabalho publicado. O cientista alegou que artigo científico não continha informações importantes e que, em sua opinião, a experiência foi um fracasso e não deveria ter sido publicada.
 

 

Gearhart liderou a equipa de investigadores que, em 1998, anunciou a produção de células estaminais embrionárias humanas (células têm a capacidade de se transformar em qualquer célula do corpo e, por isso, poderiam originar novos tratamentos para doenças degenerativas).
 

 

A empresa Advanced Cell Technology (ACT), dos EUA, anunciou dia 25 ter clonado embriões a partir de células humanas adultas. Ovócitos de mulheres foram esvaziados do núcleo, onde está o ADN, e em seu lugar foi colocado o ADN do núcleo de uma célula adulta - no caso, células que revestem os óvulos e da pele.
 

 

O problema é que os embriões formados para fins terapêuticos (destinados ao tratamento de doenças incuráveis) não ultrapassaram as seis células. Ou seja, para chegar à fase de blastocisto, com 140 a 200 células, ser-lhes-iam retiradas células estaminais, com capacidade para se transformarem em todos os tipos de células do corpo.
 

 

Esta investigação, - que não se destinava à reprodução de réplicas humanas, mas exclusivamente para encontra novas formas de tratamento e cura de várias doenças - foi anunciada pela empresa ACT como um passo importante para a investigação médica.
 

 

Gearhart não percebeu as razões pelas quais levaram à publicação do artigo, visto alegar que a descoberta não traz nada de extraordinário à investigação científica, mas
 

 

o director da revista - William Haseltine, que também é o presidente da empresa de biotecnologia Human Genome Sciences – também não se mostrou interessado em esclarecer as suas dúvidas. O cientista também insistiu em saber quem foi o painel de investigadores que avaliou o trabalho antes deste ser publicado, mas o presidente da empresa recusou-lhe a resposta. Por tudo isto, em entrevista à BBC Online, Gearhart manifestou o seu desagrado: “Sinto-me muito embaraçado e desgostoso pela publicação deste artigo(...) Pensei que por pertencer ao conselho editorial descobriria, pelo menos, o que aconteceu. Mas esse não foi claramente o caso. Por isso, a melhor coisa a fazer é afastar-me."
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.