Ciência explica a vantagem de jogar em casa
09 maio 2002
  |  Partilhar:

Factores psicológicos e hormonais poderão explicar a vantagem que representa para as equipas de futebol o facto de jogarem em casa, segundo dois estudos complementares que a revista britânica New Scientist vai publicar no sábado.
 

 

A ideia de que a equipa que joga em casa está em vantagem é aceite desde sempre.
 

 

Na Primeira Liga inglesa, a equipa anfitriã tem estatisticamente duas vezes mais probabilidades de ganhar do que a sua adversária. O segredo do sucesso pode estar nos árbitros.
 

 

Uma das explicações para este fenómeno relaciona-se, segundo um estudo controverso conduzido por Alan Nevill, da Universidade inglesa de Wolverhampton, com o facto dos árbitros, supostamente calmos, imperturbáveis e imparciais, poderem ser intimidados pela multidão de adeptos ruidosa, até mesmo hostil.
 

 

Nevill, psicólogo do desporto, apresentou um vídeo com 47 jogadas a um grupo de árbitros, pedindo-lhes para dizerem, um a um, se existia falta ou não.
 

 

Os 40 árbitros foram divididos em dois grupos: um podia aperceber-se das reacções do público e o outro não.
 

 

Os que tinham acesso ao som das imagens mostraram-se bastante mais hesitantes em sancionar a equipa local. Da mesma forma, consideraram ilícitas menos 15 por cento das jogadas que os árbitros do outro grupo.
 

 

O que é interessante é que as decisões reais tomadas nos jogos em causa foram ainda mais favoráveis à equipa anfitriã.
 

 

Nevill está convencido de que mesmo os árbitros experientes são influenciados pela multidão de adeptos, podendo, desta forma, cometer erros.
 

 

"Para não hostilizar o público, eles deixam continuar o jogo", disse.
 

 

O investigador sublinha que nos desportos menos submetidos à pressão do público, como o golfe, os jogadores que ganham não beneficiam de qualquer vantagem.
 

 

Por outro lado, Sandy Wolfson, da Universidade de Northumbria, considera que provavelmente a maioria dos árbitros não sente a sua integridade ameaçada, mas que podem ser influenciados pela proximidade dos gritos dos espectadores.
 

 

"Os árbitros são cada vez mais sólidos e confiantes, mas quando 40.000 vozes gritam "mão", a decisão pode ficar 50 por 50", assegura.
 

 

Um outro factor, desta vez hormonal, é também susceptível de intervir a favor da equipa anfitriã, segundo a investigadora.
 

 

Wolfson mediu as taxas de testosterona dos jogadores com menos de 19 anos de uma equipa pertencente à primeira divisão britânica.
 

 

As taxas eram normais durante os jogos no exterior, mas fortemente elevadas nas partidas jogadas em casa, particularmente em jogos importantes.
 

 

A maior variação nos níveis de testosterona verificava-se nos guarda-redes, explica Wolfson à New Scientist.
 

 

"No treino eles apresentam a mais fraca taxa de todos os jogadores, mas antes de jogos disputados em casa têm a mais elevada. Durante o encontro, é como se todas as responsabilidade lhes estivessem incumbidas", concluiu.
 

 

Ver estudo em: New Scientist
 

Fonte: Lusa
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.