Cicatrização de feridas de diabéticos poderá ser acelerada

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

18 junho 2015
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Uma das ferramentas utilizadas pelo organismo para impedir a infeção das feridas pode de facto interferir com a cicatrização. O estudo publicado na revista “Nature Medicine” apurou que é possível acelerar o processo de cicatrização em ratinhos diabéticos ao manter a produção de fibras extracelulares, denominadas por NET, por um tipo de células imunitárias, os neutrófilos.
 

O estudo realizado pelos investigadores do Hospital Pediátrico de Boston, nos EUA, sugere que os métodos de prevenção da produção das NET ou a clivagem destas fibras nas feridas pode, um dia, ajudar a aliviar os problemas de cicatrização de feridas nos pacientes com diabetes.
 

O atraso na cicatrização é uma das complicações da diabetes tipo 1 e 2. As úlceras do pé diabético abertas afetam, por exemplo, um quarto dos pacientes com diabetes e são uma das principais causas de amputação.
 

Quando a pele é cortada, o organismo mobiliza uma matriz complexa de células e proteínas para parar a hemorragia, prevenir a infeção através da ativação da inflamação e inicia o processo de cicatrização. Como parte da resposta inflamatória, os neutrófilos, que ingerem e destroem as bactérias, expelem a sua própria cromatina (uma mistura de ADN e as proteínas associadas) sob a forma de NET dentro da ferida.
 

Apesar de as NET terem um papel importante na eliminação das bactérias do organismo, estas podem ter também um efeito prejudicial. Na verdade, uma das autoras do estudo, Denisa Wagner, refere que as NET predispõem os pacientes para a inflamação, doença cardíaca e trombose venosa profunda, frequentemente observadas nos pacientes com diabetes.
 

De forma a verificar se a diabetes induzia os neutrófilos a produzir as NET, os investigadores analisaram este tipo de células em pacientes com diabetes tipo 1 e 2. Verificou-se que estes neutrófilos tinham uma quantidade de PAD4, uma enzima chave no processo de produção de NET, quatro vezes maior e produziam mais NET quando estimulados.
 

O estudo apurou que os ratinhos diabéticos tinham uma maior quantidade de NET nas feridas e que estas cicatrizavam mais lentamente que os animais controlo. Contudo, verificou-se que o processo de cicatrização estava acelerado nos que não apresentavam a PAD4.
 

Após terem tratado os ratinhos com uma enzima capaz de destruir as NET, os investigadores constataram que passado três dias estes animais tinham feridas 20% mais pequenas do que aqueles que não tinham sido submetidos a este tratamento. Verificou-se ainda que a administração desta enzima acelerou a cicatrização das feridas de ratinhos saudáveis.
 

Na opinião dos investigadores, as NET podem, em parte, impedir a cicatrização porque a rede densa e tóxica que produzem pode interferir com as novas células da pele que estão a tentar entrar dentro da ferida. Foi também sugerido que as NET podem ser redundantes como um mecanismo de defesa contra as bactérias.
 

"Não entendemos completamente as funções das NET, mas todas as outras funções antimicrobianas dos neutrófilos são preservadas mesmo que sejam capazes de produzir NET. Qualquer lesão que cause inflamação irá resultar na produção de NET e, acreditamos que se a lesão envolver a reparação da pele, as NET vão dificultar o processo de reparação."

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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