«Ciberpatologia» está a crescer em Portugal

Pediatra alerta para a dependência da internet

14 outubro 2004
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O pediatra Mário Cordeiro alertou para o crescimento de uma nova doença que está a atingir os jovens em todo o mundo e também em Portugal, a «ciberpatologia», ou dependência da internet. O médico falava durante as XII Jornadas de Pediatria de Évora que decorrem nesta cidade e que estão a debater a influência dos media e o problema da obesidade nas crianças.Para o pediatra, o acesso à informação global a custos negligenciáveis que representa a internet é uma regalia que pode conduzir a «um delírio».«Seria ingenuidade pensar que um fenómeno desta dimensão não resultaria numa enorme perturbação», afirmou.Mário Cordeiro questionou-se sobre a capacidade do cérebro, nomeadamente das crianças, para receber tanta informação e a possibilidade desta ser gerida pelo indivíduo - «Teremos tempo para gerir tanta informação e transformá-la em conhecimento e sabedoria?», questionou.Para o pediatra, o perigo de uma «overdose» de informação não deve ser descurado, até porque são perfeitamente identificáveis os sinais de adição da internet.A «ciberpatologia» é «uma doença que causa dependência e, como tal, se torna um hábito repetitivo e difícil de controlar que afasta a dor e dá prazer», mas que «pode comprometer a saúde», sublinhou.A nível dos sintomas desta doença, o pediatra sublinhou a «grande satisfação e euforia, que chega a ser desadequada» que o ciberdependente tem frente ao computador, chegando a achar que «tudo o que não é net é uma seca".Paralelamente, o dependente vai desleixando a sua vida de relação e desligando-se da família, dos amigos e dos colegas por «puro desinteresse». O pediatra frisou que, em muitos casos, o dependente tenta desligar-se do computador - por períodos curtos, como os fins-de-semana -, sem contudo consegui-lo, e sofrendo por isso. «Quando o jovem entra em parafuso quando o computador vai abaixo ou existe uma avaria na rede, então a dependência está instalada e é uma situação preocupante», acrescentou.Mário Cordeiro alertou para as proporções que a ciberpatologia atinge, por exemplo, nos Estados Unidos: seis por cento das pessoas sofrem desta doença.O médico explicou que, quanto mais cedo começar a dependência, mais grave esta será, sendo, por isso, necessário um investimento na prevenção. «Regras e limites, autoridade e disciplina» e um acompanhamento dos pais, que muitas vezes pensam que os filhos estão a estudar frente ao computador, quando na verdade estão a navegar sem sentido, porque não conseguem fazer outra coisa, são as medidas profiláticas defendidas pelo pediatra.Fonte: Lusa

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