Choro não é sinónimo de depressão

Pessoas deprimidas não vertem mais lágrimas que as saudáveis

01 setembro 2004
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O choro alivia a dor, esvazia a angústia e acalma lentamente o espírito. Muitas das vezes, as lágrimas são como bálsamos. E este acto, por vezes tão solitário, não é só uma prática das pessoas em depressão. Investigadores norte-americanos concluíram que as pessoas deprimidas não são mais propensas a chorar intensamente do que aquelas que não sofrem da tristeza doentia.Realizado pela Universidade Stanford, o estudo demonstrou que a depressão prolongada pode reduzir o risco de crises de choro – sinal de diminuição das emoções, facto central nessa doença mental, que é uma das mais comuns e afecta uma em cada cinco pessoas durante a vida.A pesquisa, publicada na revista Journal of Abnormal Psychology, está entre as primeiras a avaliar a associação entre depressão e choro, há muito considerado um indicador primário da tristeza humana. «O choro é uma janela para o funcionamento emocional na depressão», disse Jonathan Rottenberg, coordenador da investigação. O estudo comparou 48 mulheres e 23 homens com diagnóstico de depressão com 24 mulheres e nove homens sem problemas psiquiátricos. Cada voluntário assistiu a um filme considerado «comovente» – uma cena de «O Campeão», de 1979, em que um rapaz é informado sobre a morte do pai. As reacções emocionais de cada indivíduo foram monitorizadas.Durante a exibição, 17 mulheres choraram. E o mesmo foi observado num homem que não estava deprimido.«É um pequeno mistério para nós», disse James Gross, professor de psicologia de Stanford e um dos co-autores do trabalho. «Pensávamos que o choro tivesse uma sólida base biológica, mas o facto de homens e mulheres reagirem de forma diferente sugere que esses processos biológicos estão inseridos num contexto cultural mais amplo.» O estudo ofereceu uma surpresa ainda maior quando os cientistas avaliaram as taxas relativas de choro entre mulheres que estavam deprimidas há seis meses ou mais e um grupo que tinha o distúrbio há menos tempo. «As pessoas que estavam deprimidas há mais tempo apresentaram propensão menor a chorar», informou a equipa.Para Rottenberg, uma razão para explicar por que razão a depressão prolongada pode reduzir a capacidade de chorar é que as lágrimas geralmente são um «sinal social» de perturbação emocional – um sinal que, sob depressão implacável, poderia não ser mais efectivo como pedido de ajuda.Na opinião do coordenador da investigação, a depressão, em vez de ampliar ou exacerbar sentimentos de tristeza, pode amortecer as respostas emocionais, deixando os afectados incapazes de reagir os estímulos de felicidade ou de tristeza.A equipa lembrou que o estudo não é a última palavra sobre depressão e choro e que estímulos emocionais distintos – como interacções pessoais tristes ou hostis – podem apresentar resultados muito diferentes.Para o investigador, estudos sobre as causas emocionais do choro poderiam ajudar a desenvolver uma ideia mais clara sobre como as pessoas reagem psicológica e fisicamente à devastação causada pela depressão.Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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