Chip ajuda a recuperar mobilidade de um tetraplégico

Estudo publicado na revista “Nature”

18 abril 2016
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Um jovem norte-americano, que ficou tetraplégico após um acidente, é atualmente capaz de manipular objetos e tocar guitarra (num videojogo) com os dedos e mãos graças a um chip implantado no cérebro, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 

O dispositivo que foi desenvolvido pelos investigadores da Universidade do estado de Ohio e pelo Instituto Battelle Memorial, nos EUA, faz um bypass à espinal medula e liga o cérebro diretamente aos músculos, permitindo o controlo voluntário e funcional de um membro paralisado através da utilização dos pensamentos.
 

“Estamos, pela primeira vez, a demonstrar que um quadriplégico é capaz de melhorar o nível da função motora e movimentos das mãos”, referiu, em comunicado de imprensa, um dos coautores do estudo, Ali Rezai.
 

Esta tecnologia de bypass neuronal começou a ser testada em 2014, altura em que Ian Burkhart, de 24 anos, conseguia abrir e fechar a mão apenas através dos pensamentos. Atualmente, o jovem é capaz de fazer movimentos mais sofisticados com a mão e dedos, como pegar numa colher ou segurar um telefone ao ouvido.
 

A tecnologia inclui algoritmos que aprendem e descodificam a atividade do cérebro e uma manga de estimulação muscular de alta definição que traduz os impulsos neuronais do cérebro e transmite novos sinais ao membro paralisado.
 

De forma a desenvolver todos estes parâmetros, os investigadores começaram, há dez anos, por registar os impulsos neuronais a partir de um conjunto de elétrodos implantados no cérebro de um indivíduo paralisado. Os dados registados foram utilizados para ilustrar o efeito do dispositivo no paciente e provar o conceito.
 

Há dois anos, os investigadores implantaram um microchip, menor que uma ervilha, no córtex motor do cérebro de Ian Burhart. Os cientistas trabalharam em conjunto para descobrirem a sequência correta de elétrodos necessária para estimular e permitir que o paciente movesse os dedos e a mão funcionalmente. Verificou-se que Ian Burhart utilizava diferentes sinais cerebrais e músculos para girar a mão ou apertar os dedos para agarrar um objeto. Durante meses o paciente utilizou a manga de elétrodos para estimular o antebraço de forma a reconstruir os músculos atrofiados para que estes ficassem sensíveis à estimulação elétrica.
 

“Na última década aprendemos a decifrar sinais cerebrais em pacientes completamente paralisados e agora, pela primeira vez, esses pensamentos estão ser transformados em movimento”, referiu um dos autores do estudo, Chad Bouton.

 

Jerry Mysiw, um dos médicos que participou no projeto, referiu que “esta foi primeira vez que fomos capazes de oferecer uma esperança realista a indivíduos que têm vidas muito difíceis. O que estamos a tentar fazer é que estas pessoas tenham um maior controlo sobre os seus corpos”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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