Chineses cultivam células híbridas de coelho com DNA humano

Método causa polémica na Academia Chinesa das Ciências

03 outubro 2001
  |  Partilhar:

Depois da clonagem «Dolly» muitos outros mamíferos foram submetidos ao mesmo processo. Além das ovelhas, foram «produzidos» por este processo ratinhos, ratos, bovinos. Mas, até ao momento, todas os estudos conhecidos foram efectuadas através de células dadoras de origem fetal.
 

 

O resultado deste novo estudo, realizado na China e publicado na revista Nature, traz algo de novo: a inserção de ADN humano em óvulos de coelho destinado a cultivar embriões híbridos.
 

 

Se é inegável a importância, em termos puramente científicos, deste novo passo, em termos éticos a questão é muito diferente. Imaginar a extensão, possível ou fictícia, de a criação de um novo ser (ou nova espécie) com características humanas é algo que só gostaríamos de ver nos filmes de Hollywood. A Academia Chinesa de Ciências tem a mesma posição. As criticas ao coordenador do estudo, Chen Xigu, foram duras e a Academia pediu a criação de leis mais duras e severas para regulamentar a investigação no país.
 

 

Lados positivos
 

 

Apesar de todos os aspectos éticos, a técnica usada pelos cientistas chineses poderá servir, no futuro, para criar células «estaminais» de origem embrionária, usadas actualmente em investigações médicas de regeneração de tecidos para tratamentos ou cura das doenças de Parkinson, Alzheimer e leucemia.
 

 

Deste modo, as células híbridas poderiam substituir o uso de embriões totalmente humanos na criação de células estaminais ou progenitoras, método criticado por grupos antiaborto.
 

 

A equipa de Chen conseguiu cultivar 1 por cento dos embriões híbridos gerados até a formação de uma mórula célula embrionária não diferenciada - um dos estágios iniciais do desenvolvimento do embrião. Até que as células estaminais viáveis se formem, no entanto, é necessário que os embriões vivam até formar blastocistos - um dos outros estágios do desenvolvimento do embrião.
 

 

Embora inovadora, esta técnica já foi usada por investigadores de uma empresa de biotecnologia norte-americana com sede em Manssachussets. A Advanced Cell Tecnology já havia usado uma técnica semelhante, com células de vaca, e conseguiram criar blastocistos. A única diferença é que estas células embrionárias demoraram mais do que as normais para se desenvolver.
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.