Chimpanzé fêmea aprende mais e melhor

Será o mesmo com o Homem?

11 julho 2004
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Costuma dizer-se que as raparigas amadurecem mais rápido que os rapazes, mas três investigadores da Universidade de Minnesota (EUA) descobriram que, quando se trata de aprender habilidades culturais, a regra também é válida para os primos mais próximos dos seres humanos, os chimpanzés.Durante quatro anos, Elizabeth Lonsdorf, hoje no Jardim Zoológico Lincoln Park, em Chicago, e os colaboradores filmaram em vídeo o comportamento de 14 chimpanzés jovens --oito machos e seis fêmeas – – no seu habitat natural, o Parque Nacional Gombe na Tanzânia, enquanto eles «pescavam» térmitas – insectos que roem a madeira, também conhecidos por cupim ou formigas - de dentro dos seus ninhos, usando pauzinhos, orientados pelas suas mães. Descobriram que as jovens chimpanzés são melhores alunas que os seus colegas do sexo oposto.Os resultados mostram que os jovens machos executaram mal as tarefas, se comparados com as fêmeas, isso apesar de as mães não terem mostrado preferência por ensinar os filhotes fêmeas, ou vice-versa. Na média, as jovens fêmeas aprenderam a pescar aos 2 anos e 7 meses, enquanto os machos só conseguiram fazer o mesmo aos 4 anos e 10 meses. Uma diferença de nada menos que 2 anos e 3 meses.As fêmeas também pescaram com mais frequência e conseguiram pegar em média mais térmitas por cada «esgravatada» no formigueiro.Mas isso não quer dizer necessariamente que os rapazes primatas tenham menos neurónios do que as «meninas» da mesma idade. «As jovens fêmeas passaram mais tempo observando as suas mães a pescar, enquanto os jovens machos passaram mais tempo a brincar com o formigueiro», disse Lonsdorf no artigo publicado na revista científica britânica Nature (www.nature.com).As brincadeiras masculinas também tiveram outros efeitos, além da demora na aprendizagem. Eles não foram capazes de reproduzir a técnica de pesca usada pelas suas mães --a medição foi feita em relação à profundidade com que os pauzinhos foram espetados nos formigueiros pela mãe e como os jovens machos e fêmeas as seguiam.Como consequência, os machos desenvolveram novas formas de esgravatar, um sinal de criatividade --não fosse pelo facto de a técnica ser menos eficiente do que aquela que as suas mães tentavam lhes ensinar.No mundo dos chimpanzés, a diferença na forma de pescar formigas tem uma razão mais fisiológica. «A disponibilidade de proteína animal é limitada para chimpanzés. Os machos adultos geralmente caçam pequenos macacos [de outras espécies] nas árvores, mas as fêmeas estão quase sempre grávidas, ou com um bebé pendurado nelas. As térmitas são uma rica fonte de proteína e gordura. As fêmeas podem pescá-las e olhar os seus bebés ao mesmo tempo», explicou Lonsdorf ao jornal inglês «The Independent».As fêmeas adultas, segundo o estudo, também passam mais tempo a pescar do que os machos. Isso indica que ambos os sexos parecem fazer desde cedo actividades relacionadas aos diferentes papéis que vão desempenhar mais tarde na vida.A falta de empenho masculino em aprender --ou a sua necessidade de independência das mães, conforme o ponto de vista – – também aparece, segundo os autores, na aprendizagem das crianças humanas. E ela pode estar relacionada a uma diferença na forma de aprendizagem entre os sexos. «A descoberta é um alerta aos investigadores que estudam a aprendizagem de habilidades complexas, de que deveriam levar em conta o sexo», justificou Lonsdorf ao «Independent».O estudo, segundo os autores, é o primeiro a apresentar provas sistemáticas de diferença entre os sexos na aprendizagem do uso de ferramentas, com chimpanzés no seu habitat natural. O desafio agora é provar que «uma diferença de aprendizagem baseada no sexo pode consequentemente datar, no mínimo, do último ancestral comum entre homens e macacos», como afirmou Lonsdorf no artigo. Uma tarefa complicada, considerando que não se sabe ainda nem qual é esse ancestral. Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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