Chernobyl e o cancro da tiróide

Consequências do maior desastre nuclear apresentadas em Lisboa

23 outubro 2001
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Há quinze anos atrás, o reactor número quatro da antiga central nuclear de Chernobyl, Ucrânia, rebentou, provocando o maior desastre do género no mundo. O acidente provocou a morte de sete mil pessoas e libertou uma radiação duzentas vezes superior às bombas atómicas de Hiroxima e Nagasaqui.
 

 

Dados apresentados pelos cientistas apontam para que mais de 500 milhões de pessoas nas próximas gerações possam continuar a ser afectadas pelo maior acidente do género da história da humanidade.
 

 

Actualmente, a radioactividade libertada é associada a aproximadamente dois mil casos de cancro na tiróide. O maior número de casos da doença relacionado com uma causa conhecida com data específica.
 

 

Numa conferência realizada em Lisboa, Dillwyn William, investigador do Laboratório de Investigação de Strangeways, da Universidade de Cambridge, referiu que «quatro anos depois do acidente, um excesso de casos de cancro da tiróide foi notado entre crianças que foram expostas às partículas radioactivas do desastre».
 

 

«Esse aumento continua e actualmente novos casos ainda são detectados em pessoas que eram crianças na altura do acidente.» William afirmou que as crianças são particularmente sensíveis ao cancro depois da exposição à radiação -a única causa do cancro da tiróide.
 

 

«A exposição aos isótopos de iodo atinge a tiróide mil vezes acima da dose média absorvida pelo resto do corpo. A particular sensibilidade das crianças ao cancro da tiróide, depois da exposição à radiação, pode estar ligado à combinação de uma dose mais alta da tiróide e a biologia do crescimento da glândula -que cai para um nível baixo na vida adulta», destacou.
 

 

A tiróide é uma pequena glândula situada na garganta, abaixo da laringe e é responsável pela produção de duas hormonas: tiroxina (T4) e triiodotironina (T3), que são fundamentais para a manutenção do equilíbrio metabólico do organismo.
 

 

Alterações no ADN
 

 

Há uns meses atrás, cientistas israelitas e ucranianos também descobriram evidências de que pequenas doses de radiação poderiam provocar mudanças no ADN humano e que estas passam para futuras gerações.
 

 

As análises a crianças, que nasceram depois da explosão de Chernobyl - descendentes de pais que limparam o reactor da central nuclear russa - registaram um grande aumento de mutações, que poderão ser de longa duração, revelou um estudo, publicado no jornal britânico «Proceedings of the Royal Society: Biological Sciences».
 

 

O estudo também encontrou factores que decréscimo dos efeitos como a passagem do tempo entre a exposição e a concepção e a duração do trabalho dos daqueles que limparam o reactor.
 

 

Cancro no Pulmão
 

 

Um outro estudo apresentado na conferência mostrou que o acidente de Chernobyl também poderá estar ligado ao cancro do pulmão.
 

 

Victor Chizhivov, do Centro de Pesquisa de Cancro em Moscovo, disse que 43 funcionários da limpeza, fumadores e não-fumadores, que tiveram material radioactivo encontrado nos pulmões depois da explosão, tiveram taxas mais altas de cancro nesse órgão que outras pessoas não expostas ao acidente.
 

 

Recordar Chernobyl
 

 

A nuvem de radioactividade que surgiu depois da explosão na Ucrânia continha gás xenónio e césio inactivos, mas a maioria dos componentes era isótopos radioactivos de iodo.
 

 

Além das perdas humanas, a radioactividade de Chernobyl contaminou os solos e águas de 137 mil quilómetros quadrados de territórios na Ucrânia, Bielorrússia e Rússia.
 

 

Chernobyl inutilizou ainda 114 mil hectares de terra e 492 mil hectares de floresta, forçando 400 mil pessoas a abandonarem as suas habitações.
 

 

A Ucrânia gasta 10 por cento do seu orçamento com as consequências de Chernobyl, enquanto que na Bielorrúsia o número sobe para 20 por cento.
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

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