Cheque-dentista só foi usado por 3,5% dos idosos beneficiários

Razão pode ser o facto de desconhecerem que têm direito ao vale

23 agosto 2018
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Apenas 6.081 dos 175.306 idosos que receberam complemento solidário em 2017 utilizaram o cheque-dentista, uma cobertura “muito baixa” segundo o especialista em saúde pública Jorge Simões.
 
Segundo apurou a agência Lusa, no ano passado, o programa de saúde oral contratou 4.678 dentistas espalhados por 8.641 clínicas do país, uma cobertura elevada, que varia entre 97,7% no Norte e 89,4% no Algarve.
 
Contudo, a sua abrangência apresenta variações conforme a população-alvo: enquanto nas crianças e nos adolescentes a cobertura se situa nos 95% e nas grávidas em 63%, nos idosos baixa para os 3,5%.
 
“São um grupo muito vulnerável da população, com alfabetização reduzida e podem não estar plenamente conscientes do seu direito ao uso do cheque-dentista”, afirma Jorge Simões, um dos autores do programa.
 
Em declarações à agência Lusa, o especialista explicou que o acesso ao programa “pressupõe conhecimento”, o que coloca os idosos em desvantagem.
 
Enquanto as crianças e os adolescentes recebem os seus vales automaticamente nas escolas públicas e estão ao alcance dos serviços de saúde, as grávidas, os idosos e os portadores de VIH/Sida têm de revelar a sua condição para receber o cheque-dentista, explicou.
 
Para inverter esta situação, o especialista defendeu que deve haver uma “maior preocupação” por parte da equipa de saúde que acompanha o idoso em saber a sua condição e informá-lo sobre os seus direitos.
 
Fazendo um balanço dos 10 anos da medida, Jorge Simões destacou como “aspetos mais positivos” já ter abrangido 3,3 milhões de portugueses e ter “melhorado drasticamente” os indicadores de saúde oral. Entre 2006 e 2013, o indicador de dentes cariados, perdidos e obturados diminuiu 20% nas crianças de 12 anos. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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