Chefes injustos provocam tensão alta nos empregados

Conflitos laborais podem levar à morte

25 junho 2003
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Se os patrões intratáveis podem tornam a vida num inferno, todos sabemos, mas, segundo um estudo, também podem ser uma verdadeira ameaça à saúde.
 

 

Os chefes que tratam os seus subalternos com injustiça podem causar um aumento da tensão arterial dos funcionários, aumentando o risco a longo prazo de sofrerem de um ataque cardíacos ou de acidente vascular cerebral (AVC).
 

 

Uma equipa do Buckinghamshire Chilterns University College, da Grã-Bretanha, realizou testes com 28 mulheres auxiliares de enfermagem a cada meia hora e por 12 horas, durante três dias. Segundo a médica Nadia Wager, que liderou o estudo publicado na revista «Occupational and Environmental Medicine», «um supervisor visto como desfavorável é um factor poderoso de stress, o que pode ter um impacto clínico significativo» na função cardiovascular.
 

 

As voluntárias do estudo são supervisionadas por enfermeiras e às vezes assumem o papel dos chefes. Quando trabalhavam com um supervisor considerado injusto, a pressão sistólica aumentava em 15 mm e a diastólica em cinco mm. Quando o chefe era considerado razoável, havia pouca oscilação.
 

 

Para se ter uma ideia, um acréscimo de pressão da ordem de 10mm na sístole e cinco mm na coluna de mercúrio na diástole eleva em 16 por cento os riscos de doenças coronárias e em 38 por cento a probabilidade de AVC.
 

O estudo também incidiu sobre um questionário. Cada uma das voluntárias teve de responder a um questionário, dizendo, por exemplo, se a sua supervisora a tratava com justiça ou se encorajava o diálogo antes de tomar decisões.
 

 

Das 28 auxiliares, 13 tinham como superiores duas pessoas - uma delas vista como mais justa que a outra. As outras 15 ou eram chefiadas por uma só enfermeira, ou por duas cujas maneiras de trabalhar eram vistas como igualmente justas. Neste segundo grupo, o facto de trabalhar com uma chefe ou com a outra produziu diferenças mínimas no nível de pressão do sangue.
 

 

Já no primeiro grupo, no entanto, a tensão arterial aumentou consideravelmente entre as auxiliares que trabalhavam sob os comandos da chefe considerada injusta.
 

 

Os cientistas sustentam que os resultados são uma prova clara de que um chefe visto como injusto pode causar stress e, consequentemente, abalar a saúde e o bem-estar dos seus empregados. Os investigadores dizem que as doenças cardiovasculares afectariam menos gente se todos estivessem felizes com os seus chefes.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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