Chá reduz mortalidade não cardiovascular

Estudo apresentado no ESC Congress

03 setembro 2014
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O consumo de chá reduz a mortalidade não cardiovascular em cerca de 24%, dá conta um estudo apresentado no ESC Congress 2014, que está a decorrer em Barcelona desde o dia 30 de Agosto e que termina hoje.
 

O chá e o café são componentes importantes da vida diária. Contudo, o estudo dos seus efeitos na saúde cardiovascular tem dado origem a resultados discrepantes. Neste estudo, liderado por Nicolas Danchin, os investigadores decidiram averiguar os efeitos do café e do chá na mortalidade cardiovascular e não cardiovascular, numa população francesa que apresentava um baixo risco de doenças cardiovascular.
 

O estudo incluiu assim 131.401 indivíduos com idades compreendidas entre os 18 e os 95 anos, que foram submetidos a testes de saúde entre janeiro de 2001 e dezembro de 2008. Ao longo de uma média de três anos e meio ocorreram 95 mortes devido a causas cardiovasculares e 632 por motivos não cardiovasculares. O consumo de chá ou café foi determinado através de um questionário que avaliava o consumo em diferentes categorias: nenhuma, uma a quatro chávenas, ou mais de quatro chávenas por dia.
 

O estudo apurou que os consumidores de café apresentavam um perfil de risco cardiovascular mais elevado do que os que não ingeriram esta bebida, particularmente os fumadores. A percentagem de fumadores era de 17% para os não consumidores, 31% para os que ingeriam uma a quatro chávenas diárias, e 57% para os que consumiam mais do que quatro chávenas diárias. Verificou-se ainda que os indivíduos que não consumiam café eram fisicamente mais ativos. Relativamente à pressão arterial, foram observadas poucas diferenças. Os indivíduos que consumiam elevadas quantidades de café tendiam a ter uma pressão arterial sistólica ligeiramente mais baixa e uma pressão diastólica mais elevada, comparativamente com os que não consumiam esta bebida.
 

Os investigadores observaram que, pelo contrário, os consumidores de chá apresentavam um perfil de risco cardiovascular melhor do que os não consumidores. Cerca de 34% dos indivíduos que não consumiam chá era fumadores, comparativamente com os 24% daqueles que bebiam uma quatro chávenas por dia, e 29% daqueles que ingeriam mais de quatro chávenas. Observou-se que a quantidade de atividade física aumentava com o número de chávenas consumidas.
 

O estudo apurou ainda que o chá tinha efeitos mais pronunciados na pressão arterial do que o café. Comparativamente com os indivíduos que não consumiam chá, aqueles que consumiam elevadas quantidades apresentavam uma diminuição de quatro a cinco mmHg na pressão arterial sistólica e de três mmHg na pressão diastólica.
 

No geral, observou-se um perfil de risco mais elevado para consumidores de café e um perfil de risco mais baixo para os consumidores de chá.
“O consumo de chá diminui o risco de mortalidade não cardiovascular em 24% e a tendência para a diminuição da mortalidade cardiovascular foi significativa”, referiu ainda o investigador.
 

Nicolas Danchin conclui que o chá tem antioxidantes que podem fornecer benefícios. Apesar de ainda não se saber se é o consumo de chá que reflete um estilo de vida mais saudável ou se é o chá em si que melhora a saúde, o investigador recomenda o consumo do chá em detrimento do café.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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