Cesarianas: aumento provocado pela falta de profissionais

Estudo da Universidade de Aveiro

27 fevereiro 2014
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O elevado número de cesarianas efetuadas no serviço público de saúde deve-se ao facto de os hospitais não terem profissionais suficientes “para que haja tranquilidade” na hora de decidir, conclui um estudo levado a cabo pela Universidade de Aveiro.

O estudo, ao qual a agência Lusa teve acesso, conclui que a preferência pela cesariana é tomada muitas vezes num contexto de cansaço por turnos prolongados e partos morosos.
 

“No setor público, os médicos ganham uma remuneração fixa, independentemente das consultas ou das cirurgias efetuadas. Assim, a preferência pela cesariana em detrimento do parto natural não se deve a questões económicas mas organizacionais. A opção pela cirurgia deve-se ao facto de os hospitais não terem profissionais suficientes para que haja tranquilidade na tomada da decisão mais apropriada”, diz o estudo.
 

O estudo refere que existem equipas “a fazer turnos de muitas horas e muitas cesarianas são decididas, na sequência de trabalhos de parto prolongados, no momento do cansaço e antes de entrar pela madrugada adentro”.
 

A decisão pela cesariana “tende a ser tomada para evitar a vigília médica durante a madrugada”, adverte a investigação de Aida Isabel Tavares e Tânia Rocha.
 

Já no setor privado são razões económicas que ajudam a explicar o elevado número de cesarianas praticadas, concluem as duas investigadoras da Universidade de Aveiro.
 

“Uma cesariana custa, em média, o dobro de um parto normal”, aponta Aida Isabel Tavares, lembrando que, se o parto for por cesariana, a mãe e o recém-nascido têm que ficar mais dias no hospital, o que tem um custo acrescido por cada dia suplementar.
 

Para a investigadora, nem sempre é alheia à decisão o facto de, no setor privado, a remuneração de um médico obstetra ser composta por uma componente fixa e outra variável, que depende do número de consultas ou de intervenções realizadas pelo médico.
 

O estudo dá conta que as cerca de 27.400 cesarianas registadas em Portugal no ano de 1999 aumentaram para mais de 34 300 realizadas em 2009, uma tendência de crescimento que se mantém.
 

Em 2010 o país registou uma taxa de cesarianas de cerca de 36% (por 100 nados-vivos), valor muito acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde que aponta que a taxa não deve ultrapassar os 15%, já que a saúde de mães e recém-nascidos pode ser afetada com a realização de cesarianas desnecessárias.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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