Cesariana apenas com justificação clínica

Recomendação da Organização Mundial de Saúde

15 abril 2015
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A Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou uma recomendação para que apenas se realizem cesarianas quando tal for clinicamente justificado, lamentando, ao mesmo tempo, “a epidemia de cesarianas” que se tem verificado um pouco por todo o mundo, com especial relevo no Brasil, revela uma notícia da Lusa.
 
“Em muitos países em desenvolvimento e desenvolvidos existe verdadeiramente uma epidemia de cesarianas, mesmo quando não são medicamente necessárias”, referiu Marleen Temmerman, diretora do Departamento de Saúde e Investigação Reprodutiva da OMS.
 
De acordo com a especialista, esta “epidemia” verifica-se devido, em grande parte, à vontade dos médicos em simplificar a vida, uma vez que as cesarianas podem ser planeadas.
 
Segundo as novas indicações da agência das Nações Unidas, “as cesarianas só devem ser praticadas quando forem medicamente necessárias”.
 
É a primeira vez que a OMS recomenda, de forma clara, que a prática das cesarianas deve ser limitada a razões médicas, segundo outro especialista da OMS, Metin Gulmezoglu.
 
Em 1985, a OMS indicou que a “taxa ideal de cesarianas” estaria situada entre 10 e os 15%. No entanto, nos últimos anos, a prática de cesarianas cresceu significativamente em quase todo o mundo, atingindo os 23% na Europa, os 35,6% nas Américas e os 24,1% na região do Pacífico Ocidental, segundo os dados mais recentes da OMS, relativos a 2008. Só o continente africano (3,8%) e o sudeste asiático (8,8%) ficaram de fora deste fenómeno.
 
Em certos países verifica-se uma verdadeira “cultura da cesariana”, sublinhou a agência das Nações Unidas, que dá como exemplo o Brasil.
 
No Brasil, perto de metade dos nascimentos ocorrem através de cesarianas, tornando o país líder mundial neste campo, referiu Marleen Temmerman.
 
A OMS conduziu entretanto novos estudos para tentar determinar uma taxa ideal de cesarianas.
 
Estes novos estudos revelaram que quando as taxas de cesarianas por população atingem os 10%, os casos de mortalidade materna ou neonatal registam uma diminuição. Mas, quando as taxas são superiores a 10%, não existem evidências de uma melhoria dos registos de mortalidade.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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