Cérebros dos disléxicos Chineses e ocidentais funcionam de forma diferente

Resultados poderão levar a terapêuticas eficazes

08 setembro 2004
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Os ocidentais, habituados a uma linguagem que tem por base as muitas combinações de letras permitidas pelo alfabeto para formar palavras, arrepiam-se só de pensar que, para ler mesmos os letreiros e instruções mais simples em chinês, teriam de memorizar 6000 caracteres. Um novo estudo em que os cientistas espreitaram para o cérebro em actividade de pessoas disléxicas revela porquê: é que para ler línguas fonéticas, que têm por base o alfabeto, utiliza-se uma área diferente da necessária para compreender os caracteres chineses, que formam uma escrita ideográfica. Estes resultados, divulgados esta semana na revista «Nature», sugerem ainda que o cérebro das crianças em idade escolar _com problemas de leitura_  comportam-se de formas diferentes, consoante o tipo de linguagem que utilizam. Isto demonstra que a dislexia não é igual em todas as culturas, e que não tem uma causa apenas biológica, dizem os investigadores. Os neurologistas descrevem estes resultados como «muito importantes e inovadores.» É que, apesar da dislexia ter algumas raízes comuns em todas as culturas, agora mostrou-se que se desenvolve de maneiras diferentes, consoante as exigências colocadas pelas linguagens à organização cerebral e aos centros de processamento da informação. A dislexia é uma desordem bastante comum, na qual pessoas de inteligência normal têm dificuldade em aprender a ler. Nos EUA, afecta entre cinco e 15 por cento da população, e na China sete por cento. As origens deste problema permanecem pouco explicadas. Parece existir uma base genética, independentemente da cultura em que a pessoa está inserida. Mas a dislexia também pode resultar de danos neuronais, ocorridos ainda antes do nascimento. De acordo com o novo estudo, para ler chinês são accionadas zonas do cérebro no giro frontal médio do lobo esquerdo do cérebro. Em chineses que não têm problemas de leitura, esta zona tem um determinado padrão de actividade, diferente do exibido por falantes de chinês que sofrem de dislexia, diz a equipa de Li-Hai Tan, do Instituto Nacional de Saúde Mental em Bethesda (EUA) e da Universidade de Hong Kong. Esta zona localiza-se à frente, no lado esquerdo do cérebro, e está associada à interpretação de símbolos. O que faz sentido, já que, ao contrário das letras do alfabeto, os caracteres chineses representam pensamentos e objectos físicos. Fontes: Público e AP

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