Cérebros dos adolescentes que jogam videojogos são diferentes

Estudo publicado no “Translational Psychiatry”

21 novembro 2011
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Os adolescentes que passam muito do seu tempo a jogar videojogos têm estruturas e níveis de actividade diferentes em áreas do cérebro que estão associadas à recompensa, sugere um estudo publicado no “Translational Psychiatry”.
 

Para este estudo os investigadores da Ghent University, na Bélgica e Charite University Medicine, na Alemanha analisaram imagens de ressonância magnética de mais de 150 adolescentes com 14 anos que jogavam videojogos, de uma forma moderada ou excessiva, tendo descoberto que os jogadores frequentes tinham um maior volume de substância cinzenta numa zona crucial dos seus cérebros.
 

Estudos anteriores já haviam demonstrado uma ligação entre o estriado central, uma estrutura do cérebro associada ao sistema de recompensa, e os jogadores de videojogos ou de jogos de computador, mas este é o primeiro estudo a investigar sobre a estrutura e o volume do cérebro.
 

Os videojogos têm-se tornado muito populares nos últimos anos, particularmente para os adolescentes. Este facto conduziu a um contínuo debate entre os médicos e os investigadores sobre se o uso excessivo de videojogos deveria ser reconhecido como um vício e considerado uma forma de distúrbio mental.
 

Apesar de neste estudo se ter verificado que os jogadores “abusivos ” apresentam diferenças estruturais nos seus cérebros em comparação com aqueles que jogam menos frequentemente, não ficou provado se isto era a causa da ânsia de jogar ou uma alteração que surgiu como resultado do seu hábito.
 

Henrietta Bowden-Jones, do Imperial College London, no Reino Unido, revelou em comunicado enviado à imprensa que estes resultados são de extrema relevância para os clínicos porque “fecham mais o buraco” entre os videojogos e outros vícios, fornecendo aos especialistas um melhor conhecimento das possíveis opções terapêuticas, a longo prazo.
 

“Estes resultados demonstram que o estriado central tem um papel importante no jogo excessivo de videojogos e contribui para o nosso conhecimento do comportamento viciante”, disse Simone Kuehn da Ghent University.
 

“O próximo passo será determinar, tal como para outros vícios, se as diferenças volumétricas são a causa ou efeito deste comportamento humano excessivo”, acrescentou  Henrietta Bowden-Jones.
 

Luke Clark, da University of Cambridge, no Reino Unido também acrescentou que “a pergunta crucial é se a diferença estrutural é uma alteração causada pelo jogo frequente ou se as diferenças individuais neste sistema predispõem alguns indivíduos a jogar mais excessivamente.”

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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