Cérebro não tem em conta a força

Mecanismo faz exacerbar poderes físicos

16 julho 2003
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Numa luta física desigual, o cérebro não se dá conta desta discrepância de força dos dois elementos. Segundo um estudo britânico, aparentemente, o cérebro subestima a força física aplicada pela pessoa em contacto com outra.
 

 

Os investigadores acreditam que isso acontece devido à forma como o próprio cérebro trabalha. A descoberta pode ter implicações para alguns pais e mães de crianças, que nunca chegam a perceber a razão pela qual os seus filhos, com porte físico desenvolto, «apanham» tanto dos colegas.
 

 

Para o doutor Sukhwinder Singh Shergill e outros investigadores do University College, de Londres, analisaram seis pares de pessoas, às quais lhes foi pedido a usar a força em diversos experiências.
 

 

No primeiro dos testes, foi pedido a um membro de cada par que apertasse os dedos do parceiro. Em seguida, foi pedido à outra pessoa que aplicasse de volta a mesma força nos dedos do primeiro. O ciclo foi repetido oito vezes, com os parceiros a apertar os dedos de cada um, em turnos, e a tentar aplicar a mesma força original.
 

 

No final, os cientistas descobriram que a força que estava a ser usada era 14 vezes superior do que a aplicada originalmente. Ou seja, os voluntários teriam aumentado em um terço a força aplicada a cada turno. Em alguns casos, a força usada subiu 50 por cento.
 

 

Em seguida, os mesmos participantes foram convidados a aplicar a mesma força num joystick – mas os resultados mostraram ser muito mais precisos. «O resultado da pesquisa indica que, para se ter a mesma sensação de força, precisa usar mais força», explicou Shergill à BBC. E acrescentou: «É amplamente conhecido que existe um mecanismo no cérebro que nos leva a subestimar os efeitos das nossas próprias acções, mas esta é a primeira vez que estes efeitos são medidos».
 

 

Os cientistas acham que a chave para entender o fenómeno é o facto de que o cérebro, ao perceber algum movimento, se prepara para ordenar uma resposta física. Esse «alerta», no entanto, conduz a uma resposta exagerada.
 

 

É devido a este mecanismo específico que é explicado o facto de uma pessoa não conseguir sentir cócegas quando feitas a si mesma. É praticamente impossível alguém sentir esta situação, alegam os cientistas, porque o cérebro sabe o que esperar se a própria pessoa tentar fazer cócegas a si própria. No entanto, se outra pessoa tentar o mesmo, o resultado é completamente diferente. Tudo porque o cérebro da «vítima» está desprevenido e permite a reacção.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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