Cérebro não reage ao dinheiro
22 abril 2002
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O desempenho do cérebro é sempre o melhor possível, indiferente mesmo a qualquer recompensa monetária, indica um estudo de investigadores franceses publicado na revista da Academia Nacional das Ciências norte-americana (PNAS).
 

 

Para realizar uma tarefa complexa, entram em actividade duas regiões do cérebro, explicou Bruno Dubois, um dos investigadores do Instituto Nacional da Saúde e da Investigação Médica francês (INSERM) envolvido no trabalho.
 

 

A primeira, constituída por uma rede de "neurónios da motivação", que leva o homem a agir e a efectuar determinada tarefa, solicita o circuito das emoções.
 

 

A segunda, "operacional", está implicada na elaboração da acção propriamente dita.
 

 

A equipa de cientistas do INSERM procurou compreender como é que estas duas zonas do cérebro se articulam e sincronizam a sua acção e qual o papel que tem a motivação financeira.
 

 

"Perante tarefas de igual dificuldade, a motivação financeira não melhora os desempenhos intelectuais", concluíram os investigadores.
 

 

A ressonância magnética funcional (IRMf, sigla em inglês) permitiu visualizar as regiões do cérebro especificamente activadas pela perspectiva de uma recompensa financeira.
 

 

A seis voluntários foi pedido que detectassem as analogias entre letras apresentadas em séries mais ou menos longas e separadas em intervalos de tempo crescentes.
 

 

Antes de cada prova, os voluntários eram prevenidos do nível de dificuldade da tarefa (0, 1, 2, 3 ou 4) mas também do montante da recompensa: nula, moderada ou elevada, até um máximo de 300 euros.
 

 

A precisão das respostas e os tempos de reacção dos indivíduos permitiram apreciar os seus desempenhos.
 

 

As imagens mostraram que quanto mais aumentava o grau de dificuldade da tarefa, mais a zona "operacional" do cérebro ficava activa.
 

 

Quando o cérebro iniciava o trabalho, o sistema das motivações era bloqueado, filtrando assim emoções susceptíveis de perturbar os resultados, indicaram os investigadores.
 

 

Durante o estudo, a equipa do INSERM colocou pela primeira vez em evidência uma pequena zona do cérebro que é activada durante a acção, servindo como "maestro" entre os dois sistemas (motivação e operação).
 

 

O estudo das pessoas que sofrem de depressão deverá permitir localizar com mais precisão as redes de neurónios afectados que geram a apatia e a inércia características destas patologias, afirmaram os investigadores.
 

 

Fonte: Lusa
 

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