Cérebro está dividido entre medo e pânico

Estudo publicado na “Nature Neuroscience”

08 fevereiro 2013
  |  Partilhar:

Investigadores americanos descobriram que a amígdala não é a única região cerebral envolvida no medo. O estudo publicado na revista “Nature Neuroscience” sugere que a sensação de medo intenso ou pânico envolve outras regiões cerebrais, como o tronco encefálico ou o córtex insular.
 

Durante algumas décadas de investigação foi demonstrado que a amígdala desempenhava um papel importante na produção do medo em resposta às ameaças externas. Na verdade, os investigadores da University of Iowa, nos EUA, constataram que a paciente com quem tinham colaborado durante anos e que sofria de condição rara conhecida por Urbach-Wiethe, não tinha medo quando confrontada com cobras, aranhas, filmes de terror ou outro tipo de ameaças externas. A doença de Urbach-Wiethe é uma condição causada por danos extensos na amígdala. Os investigadores referem que, no entanto, nunca tinham explorado a resposta da paciente a ameaças internas.
 

Deste modo, os investigadores submeteram esta paciente e outras duas a uma ameaça interna, expondo-as a uma mistura de gás que continha 35% de dióxido de carbono. Este tipo de gás é habitualmente utilizado no meio laboratorial para induzir um ataque de pânico com uma duração de cerca de 30 segundos.
 

O autores do estudo verificaram que, tal como os pacientes sem danos cerebrais, as três participantes apresentaram uma resposta de pânico clássico: o batimento cardíaco aumentou, ficaram angustiadas e tentaram retirar as máscaras de inalação. Para estes indivíduos, este tipo de sensação era completamente nova, descrevendo-a como uma sensação  de pânico.
 

O líder do estudo, John Wemmie, já tinha constatado através de experiências realizadas em ratinhos que a amígdala detetava o medo produzido pela inalação de dióxido de carbono. Desta forma o investigador esperava encontrar o mesmo tipo de padrão de respostas nos humanos. “Ficámos completamente surpreendidos quando os pacientes tiverem um ataque de pânico”, referiu, em comunicado de imprensa, o investigador.
 

O estudo concluiu que a informação externa é filtrada pela amígdala, enquanto as ameaças que surgem internamente provocam uma forma forte e primária do medo, mesmo na ausência de uma amígdala funcional.
 

Os autores do estudo referem ainda que estes resultados poderão, em parte, ajudar a compreender o motivo pelo qual as pacientes têm ataques de pânico. Para os investigadores estas novas vias descobertas poderão funcionar como alvos para o tratamento de ataques de pânico, stress pós-traumático e outro tipo de condições despoletadas por emoções internas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.