Cérebro diferencia riso social e o provocado por cócegas

Estudo publicado na “PLOS ONE”

15 maio 2013
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O cérebro emite padrões de resposta diferentes quando ouvimos o riso emitido em contexto social (o que exprime alegria ou proveniente de escárnio, por exemplo) e o riso provocado por cócegas, atesta um estudo conduzido por investigadores na Alemanha.
 

A equipa de investigadores, constituída por Dirk Wildgruber e colegas, da Universidade de Tuebingen, na Alemanha, sustenta que os tipos de riso que possuem funções sociais complexas e que denotam positividade ou negatividade evoluíram a partir do riso proveniente de cócegas. Este tipo de riso constitui um reflexo que nos primatas contribui para reforçar os momentos de brincadeira e promove os laços sociais.
 

O riso social complexo contrasta com a natureza reflexiva do riso proveniente de cócegas na medida em que ocorre em diversificados contextos sociais e pode ser utlizado de forma consciente para influenciar o comportamento de outras pessoas, explicam ainda os investigadores. “Rir-se de alguém e rir-se com alguém conduz a consequências sociais diferentes”, afirma Dirk Wildgruber.
 

Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 18 voluntários, com uma idade média de 26 anos, saudáveis e livres de qualquer medicação. A equipa deu a escutar aos voluntários três tipos de riso: o de alegria, de escárnio e o proveniente de cócegas. Foram observados os padrões cerebrais dos participantes, enquanto estes ouviam os vários tipos de riso, através da ressonância magnética funcional.
 

Foi observado que a exposição ao riso jocoso ou de escárnio ativava regiões do cérebro que estão normalmente associadas ao processamento de informação social complexa. Por seu turno, o riso oriundo de cócegas ativava partes do cérebro que estão normalmente associadas ao processamento de informação acústica complexa. Isto deve-se provavelmente ao facto de o riso proveniente de cócegas produzir padrões de som de maior complexidade. Estes padrões foram evidenciados nas alterações das ligações entre áreas no córtex pré-frontal e no córtex de associação auditiva, o que reflete potencialmente uma maior exigência em termos de análise acústica.
 

Todavia, o riso jocoso ou de escárnio foi associado a “aumentos de ligações ente os córtices auditivos associativos, o córtex pré-frontal e as áreas do cérebro associadas à mentalização, assim como áreas no córtex visual associativo” devido ao seu maior grau de informação socio-relacional”, afirmam os investigadores.
 

Estudos realizados anteriormente tinham já demonstrado que os estados de saúde e de doença são afetados por diferentes padrões de ligações cerebrais. Este constitui um dos primeiros estudos dedicados ao efeito dos sinais vocais não-verbais.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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