Cérebro desenvolve novas células para enfrentar o mundo dos adultos

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

07 março 2013
  |  Partilhar:

Ao contrário do que se acreditou durante muito tempo, o cérebro desenvolve novas células durante a fase da puberdade, de forma a poder lidar com a complexa estrutura social do universo dos adultos, atesta um estudo conduzido por duas cientistas da Michigan State University, EUA.
 

Após a descoberta do nascimento de novas células no cérebro dos adultos, acreditava-se que estas apenas ocorriam em duas regiões do cérebro que estão associadas à memória e olfato.
 

Publicado na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences” e desenvolvido no âmbito do programa de neurociências daquela universidade, este estudo veio demonstrar que os cérebros dos mamíferos desenvolvem células, durante a puberdade, nas amígdalas cerebelosas e regiões associadas, desenvolvimento este que era considerado como sendo inexistente nestas regiões. As amígdalas cerebelosas avaliam nos seres humanos as expressões faciais e linguagem corporal.
 

Maggie Mohr, autora principal do estudo e aluna de doutoramento em neurociências, e Cheryl Sisk, professora de psicologia na Michigan State University injetaram hamsters do sexo masculino na fase da puberdade com um marcador químico que demonstrava o nascimento de novas células durante a puberdade. Ao atingirem a idade adulta, as investigadoras puseram os roedores em interação com fêmeas.
 

Após o contacto dos animais com hamsters do sexo feminino, as investigadoras descobriram que os mesmos tinham desenvolvido novas células nas regiões das amígdalas cerebelosas e associadas durante a puberdade. Nos hamsters esta região do cérebro é responsável pela deteção de sinais transmitidos pelo olfato através das feromonas. As novas células tinham-se tornado parte das redes neurais que desempenham um papel nos comportamentos social e sexual.
 

Os resultados demonstraram também que as novas células que surgem no cérebro durante a puberdade sobrevivem até á idade adulta e “amadurecem, tornando-se parte do circuito cerebral que está por trás do comportamento adulto.
 

Finalmente, descobriu-se que a exposição a um meio-ambiente mais rico promovia a sobrevivência e funcionalidade de mais células novas do cérebro, como uma gaiola de maiores dimensões, uma roda de exercício, materiais para o ninho e outros.
 

As investigadoras esperam que este trabalho se reflita em mais descobertas sobre o comportamento humano, mesmo tendo em consideração que o mesmo é mais complexo que o dos roedores.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.