Cérebro continua a crescer na idade adulta?

Estudo publicado na revista “Science”

10 janeiro 2017
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A parte do cérebro responsável pelo reconhecimento facial continua a crescer na idade adulta, sugere um estudo publicado na revista “Science”.
 

Acredita-se que o desenvolvimento cerebral humano tenha início na terceira semana de gestação. Posteriormente, as células progenitoras neuronais começam a se diferenciar em estruturas e funções neuronais específicas.
 

Este processo de desenvolvimento fetal ocorre até ao nascimento, quando as estruturas básicas do sistema nervoso periférico e central são estabelecidas. Após o nascimento o cérebro continua a desenvolver-se. Durante o período pré-escolar, o cérebro cresce quatro vezes e atinge 90% do seu volume adulto por volta dos seis anos.
 

Na infância, o cérebro produz um excesso de ligações sinápticas entre os neurónios. Ao longo da adolescência estas sinapses desnecessárias são descartadas, este processo é conhecido por “poda sináptica” e acredita-se que seja responsável pelo desenvolvimento cerebral sendo também importante para o comportamento social normal.
 

Contudo, o estudo levado a cabo pelos investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos EUA, sugere que o crescimento em tamanho, e não a poda sináptica, é o que ajuda o cérebro a ficar mais maduro.
 

No estudo, os investigadores, liderados por Jesse Gomez, decidiram aprofundar o conhecimento relativamente à capacidade de o cérebro reconhecer rostos, um componente importante do comportamento social e da interação social normal.
 

Para o estudo os investigadores contaram com a participação de 22 crianças entre os cinco e os 12 anos, bem como 15 adultos com idades compreendidas entre os 22 e os 28 anos. Os participantes foram submetidos a uma ressonância magnética funcional e a um teste para avaliação da capacidade de reconhecerem rostos e locais.
 

O estudo apurou que a região do cérebro que ajuda as pessoas a reconhecerem os rostos estava aumentada nos adultos, enquanto a região envolvida no reconhecimento de locais permanecia sem alterações.
Estes resultados foram confirmados em análises post mortem realizadas aos cérebros dos adultos. Segundo os investigadores, as alterações na mielinização, ou seja, na substância branca lipídica presente nos axónios de algumas células nervosas, não são suficientes para explicar a expansão da região do cérebro.
 

Desta forma, os autores do estudo sugerem que este aumento inesperado seja causado pela combinação de corpos celulares, estruturas dendríticas e folha da mielina.
 

Os investigadores concluem que estes dados sugerem um novo modelo no qual a função cerebral e o comportamento resulta da proliferação do tecido cortical em vez de, exclusivamente, da poda sináptica.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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