Cérebro: como responde à ingestão de açúcares diferentes?

Estudo da Universidade do Sul da Califórnia

12 dezembro 2014
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O cérebro responde de forma diferente a dois tipos de açúcar. O estudo apresentado no encontro anual do Colégio Americano de Neuropsicofarmacologia sugere que a frutose aumenta a resposta dos circuitos de recompensa do cérebro a estímulos alimentares, o que promove a ingestão de alimentos.
 

A obesidade é um problema grave de saúde pública, tendo sido considerada pela Organização Mundial de Saúde como a epidemia do século XXI. Acredita-se que na base desta “epidemia” estejam as alterações do estilo de vida e o tipo de dieta adotada no último quarto de século, com um aumento especialmente preocupante do consumo de frutose.

 

A frutose é um açúcar simples encontrado na fruta, mas também adicionado a muitos alimentos, como açúcar refinado, sob a forma de xarope de milho rico em frutose. Por outro lado, a glucose, a principal fonte de energia do organismo, produz-se habitualmente através da decomposição de hidratos de carbono complexos.
 

Comparativamente com a ingestão de frutose, a ingestão de glucose produz pequenos aumentos nos níveis das hormonas da saciedade. Estudos realizados em ratinhos demonstraram que a administração direta de frutose no cérebro provoca uma necessidade de ingestão de alimentos, enquanto a glucose promove a saciedade. Estudos preliminares em humanos também sugeriram que contrariamente à frutose, a glucose reduz a atividade no hipotálamo, um evento que está associado à saciedade metabólica.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, contaram com a participação de 24 indivíduos, entre 16 e 25 anos de idade, que ingeriram bebidas que continham glucose ou frutose. Através da realização de ressonâncias magnéticas funcionais, foram analisadas as respostas cerebrais e a motivação para ingerir alimentos, enquanto os participantes visualizavam imagens de comida.
 

De acordo com os investigadores, a ingestão de alimentos produz a ativação do núcleo de accumbens, uma parte do circuito de recompensa cerebral, e aumenta o desejo de comer.
 

O estudo apurou que ativação desta zona cerebral foi maior após a ingestão da bebida que continha frutose, comparativamente com aquela com glucose. A ingestão de frutose também conduziu a níveis mais elevados de fome e de motivação para comer, comparativamente com a glucose.
 

Segundo os investigadores este tipo de estudo tem implicações importantes para a saúde pública numa sociedade que está inundada por alimentos com elevado teor de açúcar e estímulos para consumir alimentos. Assim, estes resultados sugerem que o consumo de frutose pode promover a ingestão excessiva de alimentos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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