Cérebro: como realiza várias tarefas?

Estudo publicado na revista “Nature”

27 outubro 2015
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Investigadores americanos descobriram que uma região em forma de concha, localizada no centro do cérebro dos mamíferos e conhecida como núcleo reticular do tálamo ou TRN, é responsável pela capacidade de realizar várias tarefas rotineiramente e sem problemas, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 
Os investigadores da Universidade de Nova Iorque, nos EUA, sugerem que o processo é levado a cabo por neurónios do TRN que se comportam como um “painel de comando” filtrando continuamente a informação e dando mais ou menos atenção a um determinado sentido.
 
O estudo realizado em ratinhos demonstrou que os neurónios TRN, que já tinham sido previamente associadas ao amortecimento de sinais cerebrais em humanos, também ficavam menos ativos quando os ratinhos se focavam e respondiam a um flash de luz para obterem uma recompensa.
 
Pelo contrário, quando levaram os ratinhos a prestar mais atenção ao som e a ignorarem o flash de luz, os neurónios TRN que controlavam a visão ficavam mais ativos, suprimindo os sinais visuais de forma a ser prestada mais atenção ao som. Estudos anteriores realizados pela mesma equipa de investigadores já tinham demonstrado que os neurónios TRN controlavam sentidos específicos.
 
“Filtrar as distrações ou a informação irrelevante é uma função vital. As pessoas necessitam de ser capazes de se focarem numa determinada coisa e suprimirem as distrações para conseguir realizar funções quotidianas como conduzir, falar ao telefone e socializar”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Michael Halassa.
 
De acordo com o investigador, esta investigação é base para estudos cada vez mais detalhados sobre o comportamento complexo envolvido na forma como cérebro dos mamíferos presta atenção ao que é importante e especialmente como estes circuitos neuronais estão danificados em doenças como o distúrbio do défice de atenção e hiperatividade, autismo e esquizofrenia.
 
No estudo os investigadores desenvolveram uma experiência comportamental na qual foi monitorizada a capacidade de ratinhos recolherem com sucesso uma recompensa de leite, prestando atenção a um sinal de luz ou som. O teste foi concebido para medir como uma área do cérebro conhecida por controlar funções superiores do comportamento, o córtex pré-frontal, era capaz de se focar num sentido ou no outro.
 
Os ratinhos foram distraídos com estímulos opostos. Se os animais estivessem à espera de um flash de luz para os conduzir para a recompensa do leite, estes eram distraídos com um som e vive versa. A distração diminui a capacidade dos ratinhos recolheram a recompensa, mesmo se o estímulo de distração fosse removido mais tarde. 
 
Simultaneamente, foram registados os sinais elétricos dos neurónios TRN e monitorizado o comportamento dos ratinhos, ao mesmo tempo que eram inativados várias partes do circuito neuronal cerebral.
 
O estudo apurou que a inativação do córtex pré-frontal afetava a sinalização dos neurónios TRN e reduzia o sucesso na obtenção da recompensa quando estavam especificamente presentes sinais de luz ou som. A inativação do TRN, deixando as regiões corticais intactas, também diminui o sucesso da obtenção da recompensa.
 
Na opinião dos investigadores, estes resultados demonstram como o córtex pré-frontal é essencial para a realização deste tipo de tarefas comportamentais e como esta parte do cérebro armazena o conhecimento e comunica com o TRN para controlar a quantidade de informação sensorial visual ou auditiva que é suprimida ou não, e, em última instância como o cérebro processa várias tarefas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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