Cérebro começa a “ceder” com a idade

Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

27 outubro 2016
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Para além de a idade contribuir para a perda de firmeza e elasticidade da pele, também contribui para que o cérebro comece a ceder, sugere um estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 
No estudo, os investigadores da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Brasil, analisaram a forma como o cérebro se dobra e como as “dobras corticais” ficam alteradas com a idade.
 
Ao associar a alteração na forma como o cérebro se dobra com a tensão no córtex cerebral, os investigadores constataram que, à medida que o ser humano envelhece, a tensão no córtex parece diminuir. Verificou-se que este efeito foi mais pronunciado nos indivíduos com doença de Alzheimer.
 
A expansão do córtex cerebral é a caraterística mais óbvia da evolução do cérebro dos mamíferos e geralmente é acompanhada por graus crescentes de dobras da superfície cortical. Num cérebro adulto médio, se o córtex de um hemisfério estivesse desdobrado e achatado teria uma área de superfície de cerca de 100.000 mm2, do tamanho de cerca de uma folha e meia de papel A4.
 
Estudos anteriores já tinham demonstrado que o córtex de todas as espécies de mamíferos se dobrava de acordo com uma lei universal, ou seja, independentemente do tamanho e forma, todos se dobravam da mesma forma. No entanto, ainda não se tinha determinado se esta lei se aplicava também à diversidade morfológica dos diferentes indivíduos numa única espécie, particularmente no que diz respeito a fatores como idade, sexo e doenças.
 
De maneira a descobrir se a forma como o córtex cerebral se dobra é universal, os investigadores, liderados por Yujiang Wang, utilizaram ressonâncias magnéticas para mapear as dobras em mais de mil adultos saudáveis.
 
O estudo apurou que as dobras do cérebro humano seguiam a mesma lei universal simples. No entanto, verificou-se que com idade a forma como o cérebro se dobra sofre alterações. Os cientistas verificaram que a tensão dentro do córtex cerebral diminui. Este é um processo semelhante ao que acontece com a pele, à medida que as pessoas envelhecem a tensão diminui e a pele começa a perder elasticidade.
 
Os cientistas descobriram ainda que os cérebros das mulheres e dos homens diferem no tamanho, área de superfície e número de dobras. Na verdade, cérebro da mulher tende a ter menos dobras do que o de um homem da mesma idade. No entanto, os cérebros dos homens e das mulheres seguem exatamente a mesma lei. 
 
O estudo apurou também que os cérebros dos pacientes com doença de Alzheimer apresentavam alterações precoces mais pronunciadas na tensão cortical e nas dobras comparativamente com os indivíduos saudáveis. 
 
A investigadora conclui que são necessários mais trabalhos nesta área, mas sugere que o efeito que a doença de Alzheimer tem sobre a forma como o cérebro se dobra é semelhante ao do envelhecimento prematuro do córtex.
 
“O próximo passo será ver se há uma forma de utilizar as alterações nas dobras do cérebro como um indicador precoce da doença”, concluiu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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