Cerca de mil crianças nascem anualmente longe dos hospitais portugueses

Situação inquieta obstetras

13 abril 2011
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Uma em cada quatro gravidezes consideradas de baixo risco leva a complicações durante o trabalho de parto, alertam os obstetras.
 

De acordo com um estudo realizado em Portugal em 2009, 23% das situações obstétricas consideradas de baixo risco, ou seja, as gravidezes normais, que chegam ao termo normalmente e que entram em trabalho de parto de forma espontânea, apresentam complicações durante o parto.
 

Em declarações à agência Lusa, o Presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia e Obstetrícia, João Luís Silva Carvalho, defende que “como não conseguimos adivinhar o que vai acontecer, temos de ter todas as grávidas nos hospitais, para que os tais 23% de partos que se tornam de risco sejam devidamente tratados”.
 

Contudo, todos os anos nascem cerca de mil bebés longe das maternidades. Os últimos dados do INE indicam que em 2009 nasceram em Portugal 98.430 bebés. Destes nascimentos, 764 partos realizaram-se em casa e 208 “noutros locais”.
 

Os especialistas acreditam que cerca de metade destas situações se deva à falta de tempo para chegar à maternidade. Todas as outras situações terão sido por opção da família. Apesar de os números dos partos domiciliários serem residuais (menos de um 1% do total de nascimentos no país), não deixam de causar preocupação. De acordo com Luís Graça, Director do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, os partos em casa são uma fantochada, uma aberração”.
 

Os ginecologistas reprovam quem, em nome da “humanização” dos serviços de saúde ou contra o excesso de intervenção médica, coloca a vida das crianças em risco. “Um parto não monitorizado tem um risco triplo (para o recém-nascido) de morrer. Sendo que a mortalidade nem sempre é o pior: muito pior são as crianças que sobrevivem com sequelas neurológicas”, assinala Luís Graça.
 

“Um parto complica-se em um minuto”, lembra o Presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, Miguel Oliveira Silva. “Um bebé que tem dificuldade respiratória ao nascer e entra rapidamente em hipotermia, ou que cresceu pouco ou demais dentro da barriga da mãe, ou teve um parto muito demorado, ganha muito em ter uma assistência imediata à laqueação do cordão umbilical e a melhor garantia para o bebé é nascer no próprio local onde essa assistência existe”, acrescenta ainda o presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia e Obstetrícia.
 

Apesar de em Portugal já existirem partos domiciliários realizados por médicos e enfermeiros, a comunidade obstétrica portuguesa não reconhece competência a estes especialistas: “Um médico ou um enfermeiro que aceita trabalhar sem rede, sem monitorização, sem apoio tecnológico nem de uma equipa neo-natal de emergência é uma pessoa que não merece o nosso crédito”, acrescenta ainda João Luís Silva Carvalho.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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