Cerca de metade dos presos portugueses já consumiu droga na cadeia
05 dezembro 2001
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Cerca de metade dos reclusos portugueses (47,4%) admite consumir droga dentro da prisão, sendo a heroína o estupefaciente preferido por 27%, num universo liderado pela cannabis (39%).
 

 

Estes dados constam do relatório "Trajectórias e Consumos de Drogas nas Prisões: Um Diagnóstico", elaborado pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES), do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), ontem apresentado em Lisboa pelo secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Vitalino Canas, e pelos ministros da Justiça, António Costa, e da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago.
 

 

O estudo, coordenado por Anália Cardoso Torres, e que dá, pela primeira vez em Portugal, uma ideia fidedigna representativa do panorama da droga nas prisões portuguesas, foi elaborado a partir de 2.068 inquéritos confidenciais a reclusos, de que só 2.957 foram consideradas válidas para a amostra.
 

 

Em Portugal, segundo dados referentes Junho deste ano, existem 12.880 reclusos, 89% deles homens e os restantes mulheres.
 

 

A cannabis, a heroína e a cocaína são as drogas mais
 

consumidas no interior das prisões portuguesas, com 39%, 27% e 20%, respectivamente.
 

 

Guardas prisionais impotentes
 

 

A grande maioria dos directores dos estabelecimentos
 

prisionais (EP) portugueses admite ser "muito difícil" impedir a entrada de droga nas prisões, até mesmo com um maior controlo e vigilância, refere o mesmo relatório.
 

 

 

Na área dedicada à opinião dos directores dos EP, em
 

comparação com a dos detidos, o relatório adianta que, apesar de em ambos os casos haver uma concordância em que "é difícil controlar a entrada de droga nas prisões", existe uma convicção bem mais acentuada por parte dos dirigentes das prisões.
 

 

Assim, 92,5% dos directores afirma não se poder controlar este fenómeno e 69,4% dos reclusos considera que sim.
 

 

Também a maioria dos directores (55,8%) discorda de que é possível com maior controlo e vigilância impedir a entrada de drogas nas prisões, contra 59,5% dos reclusos que defende este método para evitar o fenómeno.
 

Fonte: Lusa
 

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