Cerca de 80% dos diabéticos sem rastreio à retinopatia

Denúncia do diretor do Programa Nacional para a Diabetes

07 agosto 2015
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Cerca de 80% dos diabéticos não tem acesso ao rastreio anual à visão, o que leva a que muitos contraiam retinopatias que, em alguns casos, degeneram em cegueira, denunciou José Manuel Boavida, diretor do Programa Nacional para a Diabetes (PND), à agência Lusa.
 
As declarações do dirigente do PND surgem a propósito de um conjunto de recomendações feitas pela Assembleia da República com vista ao reforço das medidas de prevenção, controlo e tratamento da diabetes.
 
De entre as recomendações encontra-se “o reforço do rastreio sistemático da diabetes e, em especial, da retinopatia diabética, entre os grupos populacionais que apresentem risco acrescido de desenvolvimento dessa doença, junto dos cuidados primários ou de outras instituições de proximidade”.
 
Apesar da importância dos rastreios para o controlo da retinopatia diabética, de acordo com José Manuel Boavida, os últimos dados disponíveis, que remontam a 2013, indicam que apenas 20% dos diabéticos têm garantido o seu rastreio anual.
 
O especialista lamenta esta fraca cobertura, justificando que “um rastreio é muito mais barato do que a observação médica”. Além disso, garante que dos 150 mil diabéticos rastreados apenas cerca de dez por cento precisa de ir a uma consulta de oftalmologia.
 
“Isto quer dizer que 90 por cento dos doentes ficaram descansados, pois o seu olho não precisava de consulta. E assim evitámos que a situação progredisse”, adiantou.
 
O rastreio visual a diabéticos é realizado com recurso a aparelhos colocados para o efeito nos centros de saúde e onde os utentes podem ir avaliando anualmente o estado da sua visão e eventuais complicações associadas à diabetes.
 
O médico recordou que “a retinopatia diabética só dá queixas quando a situação se torna praticamente irreversível. Se as situações forem detetadas precocemente nunca chegarão a existir. Deixará de haver cegueira por causa da diabetes e a diabetes é a principal causa de cegueira na população adulta”.
 
Além da cegueira, outra das consequências da retinopatia diabética é a subvisão, a qual impede que os doentes consigam “fazer a sua vida com autonomia”.
 
Para o diretor do PND, “há claramente aqui uma responsabilidade direta das Administrações Regionais de Saúde (ARS)”, que acusa de “inoperância”, considerando a recomendação do Parlamento “um puxão de orelhas ao Ministério da Saúde, no sentido em que há um conjunto de medidas absolutamente básicas e necessárias”.
 
Para o presidente do PND, por causa da “inércia” de quem decide, “muitas pessoas têm perdido a visão”.
 
Devido à “falta de rastreio, não só os diabéticos perdem a visão, como têm de fazer mais tratamentos muito mais caros, injeções no olho, operações. Enfim, custos muito maiores do que o próprio rastreio. É tapar o sol com a peneira”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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