Cerca de 180 mil portugueses podem estar infectados por hepatite C

Abraço quer "kits" de utilização de drogas em Portugal

23 janeiro 2002
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Cerca de 180 mil pessoas em Portugal poderão estar
 

infectadas com o vírus da hepatite C, uma doença assintomática que é actualmente a principal causa de tumor maligno no fígado e de transplantes hepáticos.
 

 

Estes dados foram divulgados durante a apresentação do I
 

Simpósio Internacional de Hepatites Víricas, a ter lugar em Lisboa nos dias 15 e 16 de Fevereiro.
 

 

Nos últimos anos, a hepatite C confirmou-se como um dos
 

principais problemas de saúde pública na Europa e nos EUA, já que a sua prevalência é superior e mais homogénea ao longo da União Europeia do que a prevalência do vírus da sida.
 

 

Segundo o médico Fernando Ramalho, presidente do simpósio,
 

o crescimento de casos de hepatite C é tal que se estima que daqui a seis anos tenha havido um aumento de 61% na incidência de cirrose hepática e 68% em tumores do fígado.
 

 

O maior grupo de risco na transmissão da doença são os
 

toxicodependentes, mas fazer um piercing, uma tatuagem, ir à
 

manicura ou pedicura, ao dentista ou partilhar objectos de higiene pessoal também possibilita o contágio.
 

 

Ainda de acordo com Fernando Ramalho, a manter-se o ritmo
 

de propagação da doença, em 2008 a necessidade de transplante hepático (do fígado) deverá ter aumentado 528%, o que é dramático.
 

 

 

 

Diminuir o contágio
 

 

 

A Abraço vai envidar esforços para que em Portugal comecem
 

a ser distribuídos "kits" de utilização de droga, como acontece em França, visando diminuir o risco de contágio de doenças como a hepatite C.
 

 

Durante a apresentação do I Simpósio Internacional
 

de Hepatites Víricas de Lisboa 2002, Maria José Campos, da Abraço (Associação de Apoio a Pessoas com VIH/Sida), exibiu dois "kits" de utilização de droga que estão a ser distribuídos em França e que têm por objectivo evitar a partilha de todo e qualquer "material necessário para preparar o produto", quer seja para injectar quer para inalar.
 

 

"As pessoas não devem apenas não partilhar seringas, mas
 

todo o material necessário para preparar o produto", disse,
 

acrescentando que, segundo um inquérito feito a toxicodependentes no sul da Europa, "quase 50 por cento dos inquiridos já tinha partilhado seringas, enquanto 70 por cento já tinham partilhado a água, por exemplo".
 

 

Maria José Campos salientou que este é um problema que
 

visa não só os toxicodependentes, mas todos os utilizadores -mesmo esporádicos - de droga.
 

 

Por isso mesmo, em França são distribuídas duas embalagens
 

financiadas pelo governo.
 

 

Uma, para quem se injecta, tem o filtro e o recipiente
 

para preparar o produto, enquanto a outra, para quem inala, tem também "um recipiente, um cartão (com números de telefone de associações de ajuda a pessoas com problemas de dependência), dois lenços de papel, duas palhinhas adaptadas para não ferir a mucosa nasal e dois cotonetes para limpar e proteger as mucosas nasais".
 

 

"Estas campanhas são importantes sobretudo para prevenir o
 

vírus da hepatite C (VHC), mais facilmente transmitido do que o VIH, mas também para prevenir a transmissão do VIH", salientou.
 

Fonte: Lusa
 

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