Centenas de mutações encontradas numa centenária

Estudo publicado na revista “Genome Research”

29 abril 2014
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Uma equipa internacional de investigadores detetou mais de 400 mutações nas células sanguíneas de uma mulher com 115 anos de idade, o que sugere que as lesões nestes locais são em grande parte inofensivas ao longo da vida, refere um estudo publicado na revista “Genome Research”.
 

O sangue está continuamente a repor as células estaminais hematopoiéticas que residem na medula óssea e se dividem para dar origem a diferentes tipos de células sanguíneas, incluindo os leucócitos. Contudo, o processo de divisão celular está propenso à ocorrência de erros e as células que se dividem com mais frequência, como é o caso das células sanguíneas, tendem a acumular mais mutações genéticas.
 

Têm sido descobertas centenas de mutações em pacientes com cancro nas células sanguíneas, mas até à data ainda não se sabia se os leucócitos saudáveis também apresentavam mutações.
 

Após terem sequenciado os leucócitos de uma centenária, os investigadores liderados por Sistermans EA, identificaram mais de 400 mutações nestas células, as quais não estavam presentes no cérebro, que raramente sofre divisão celular depois do nascimento. Estas mutações somáticas, ou seja que não são transmitidas à descendência, parecem ser toleradas pelo organismo e não conduzem ao desenvolvimento de doença.
 

Ao analisarem a fração dos leucócitos que continham as mutações, os autores do estudo verificaram, com alguma surpresa, que o sangue periférico da mulher derivava de apenas duas células estaminais hematopoéticas ativas, contrariamente às 1300 estimadas.
 

O estudo também analisou o comprimento dos telómeros, sequências localizadas nas extremidades dos cromossomas que os protegem da degradação e que se tornam mais curtos a cada divisão celular. Foi verificado que os telómeros dos leucócitos eram extremamente curtos, cerca de 17 vezes mais curtos do que aqueles encontrados nas células cerebrais.
 

Uma vez que os telómeros destas células eram extremamente curtos, os autores do estudo especularam que a maioria das células estaminais hematopoéticas morrerem de “exaustão”, tendo atingido o limite da divisão das células estaminais.
 

Os investigadores acrescentaram ainda que estudos futuros devem determinar se a exaustão das células estaminais é a causa de morte em idades muito avançadas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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