Células pulmonares podem regenerar-se

Estudo divulgado no “Nature Communications”

14 abril 2015
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Um novo estudo levado a cabo por cientistas norte-americanos revela que o tecido pulmonar tem mais capacidade de reparação do que inicialmente esperado, tendo-se verificado que este é capaz de se regenerar.
 
As células que se encontram nos alvéolos, o local dos pulmões onde se dá a troca gasosa entre oxigénio e dióxido de carbono, são de dois tipos e possuem diferentes funções. No entanto, esta investigação descobriu que, mediante determinadas condições, qualquer um destes dois tipos de células pode transformar-se no outro.
 
As células do Tipo 1 são aquelas onde se dá a troca de gases nos alvéolos, enquanto as de Tipo 2 segregam surfactante, uma substância espumosa que ajuda a manter as vias áreas abertas.
 
A experiência levada a cabo pelos cientistas em ratinhos revelou que os dois tipos de células derivam, na verdade, de uma célula estaminal percussora no embrião, o que lhes permite que, em determinadas circunstâncias, possam transformar-se uma na outra. 
 
Para a investigação, os cientistas eliminaram parte dos pulmões dos ratinhos e utilizaram cultura de células para estudar a plasticidade de ambos os tipos de células durante a regeneração pulmonar. 
 
A equipa de investigação descobriu que as células do Tipo 1 podem dar origem a células do Tipo 2 e vice-versa.
 
Apesar de os cientistas já terem descoberto que as células do Tipo 2 produziam surfactante e funcionavam como “progenitores” nos ratinhos, ainda não sabiam que as células do Tipo 1 poderiam dar origem a qualquer uma das duas linhagens de células.
 
“Descobrimos que as células Tipo 1 dão origem a células Tipo 2 em cerca de três semanas em vários modelos de regeneração”, revela um dos autores do estudo, Rajan Jain. “É como se o pulmão soubesse que tinha de se regenerar e tivesse chamado células Tipo 1 para entrar em ação e ajudar no processo”, esclarece.
 
Este é um dos estudos pioneiros que demonstram que um tipo de célula especializada que se pensava encontrar no limite da sua capacidade de diferenciação pode reverter para um estado prévio em determinadas condições. Neste caso, não foi através de qualquer fatores de transcrição, mas através da introdução de lesões para que o organismo entre em ação para se reparar e necessite de novas células de um determinado tipo para realizar essa tarefa.
 
“É como se as células pulmonares pudessem regenerar-se uma a partir da outra conforme a necessidade de reparação do tecido em falta, sugerindo que o sistema possui muito mais flexibilidade do que inicialmente estimávamos”, esclarece Jon Epstein, co-autor do estudo. Epstein recorda que estas não são as habituais células estaminais, mas sim “células pulmonares maduras que acordam em resposta a uma lesão”. 
 
A equipa de investigadores espera poder utilizar estes achados noutras condições pulmonares – como a síndrome de insuficiência respiratória aguda e fibriose pulmonar idiopática, onde os alvéolos não conseguem fornecer oxigénio suficiente ao sangue – assim como noutros órgãos e sistemas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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