Células protetoras ajudam na progressão do cancro

Estudo publicado na “Proceedings of the Natural Academy of Sciences”

13 agosto 2014
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Determinados glóbulos brancos, que protegem o organismo de infeções, também desempenham um papel no desenvolvimento do cancro do ovário, descobriu uma equipa de investigadores portugueses. 
 
O estudo conduzido pelo Instituto de Medicina Molecular de Lisboa demonstrou, em ratinhos, que "a interação entre dois tipos de células do grupo dos glóbulos brancos" - os linfócitos T gama-delta e os macrófagos peritoneais - "promove o crescimento do cancro do ovário", apurou a agência Lusa.
 
Bruno Silva-Santos, do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, e que lidera a equipa, explicou, em declarações à agência Lusa, que os linfócitos T gama-delta produzem uma molécula, a interleucina-17, que "vai recrutar" os macrófagos e "levá-los para o sítio do tumor", causando a formação de vasos sanguíneos que "vão fornecer alimentos ao tumor, que cresce mais depressa".
 
O coordenador do grupo de trabalho adiantou que aquilo que o tumor faz é "raptar o mecanismo protetor" dos linfócitos T gama-delta e dos macrófagos peritoneais contra infeções e "usá-lo a seu favor". Os linfócitos T gama-delta e os macrófagos peritoneais são considerados "muito importantes" para a proteção natural do corpo contra microrganismos, em particular fungos e bactérias.
 
O que acontece é que a resposta do organismo "é aproveitada pelo tumor para favorecer o seu crescimento", explica o investigador. Por isso, basta extrair do organismo os linfócitos T gama-delta ou a molécula interleucina-17 para travar a progressão do tumor.
 
"Se tivermos um doente com cancro, o que queremos é impedir o desenvolvimento do tumor. Vamos tirar estas células e esta molécula para impedir o desenvolvimento do tumor. Sabendo à partida que o doente vai ficar mais suscetível a uma infeção fúngica ou bacteriana, controlamos... com recurso a antibióticos", exemplificou Bruno Silva-Santos.
 
Relativamente aos benefícios terapêuticos da descoberta, Bruno Silva-Santos referiu que já estão a ser testados anticorpos em ensaios clínicos para neutralizar a interleucina-17, responsável pelo desenvolvimento de doenças autoimunes. Os anticorpos podem ser úteis no tratamento - por imunoterapia - do cancro, explicou ainda.
 
A equipa irá seguidamente estudar o mesmo mecanismo imunitário em células de humanos e verificar se é visível noutros tipos de cancro, sem ser o do ovário.
 
Bruno Silva-Santos invocou, a este propósito, um estudo recente de cientistas chineses que concluiu, em doentes, que os linfócitos T gama-delta estão associados a um mau prognóstico no cancro do cólon.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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