Células leucémicas: como sobrevivem ao tratamento?

Estudo publicado na revista “Nature”

20 outubro 2016
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Uma equipa internacional de investigadores descobriu como as células leucémicas sobrevivem ao tratamento sugerindo assim novas formas de as deter, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 

A leucemia é um tipo de cancro com uma das taxas de mortalidade mais elevadas. Isto acontece, em parte, porque existe uma taxa elevada de recidivas, uma vez que algumas células cancerígenas podem sobreviver ao tratamento inicial. Estas células sobreviventes são muitas vezes resistentes ao tratamento, o que faz com que o cancro se dissemine e se torne fatal.
 

Até à data, a comunidade científica ainda não sabe ao certo por que motivo estas células resistentes ao tratamento resistem à quimioterapia inicial. Há quem defenda que elas se escondem em nichos específicos na medula óssea que habitualmente têm células estaminais sanguíneas.
 

Contudo, os investigadores, liderados por uma equipa do Imperial College London, no Reino Unido, em colaboração com uma equipa do Instituto Francis Crick, no Reino Unido, e da Universidade de Melbourne, na Austrália, verificaram que as células se dispersam na médula óssea de ratinhos antes e após o tratamento e movem-se rapidamente.
 

Após o tratamento, foi observado que as células de leucemia que sobreviveram moviam-se mais rapidamente do que antes do tratamento. De acordo com os investigadores, o próprio ato de se moverem pode ajudar as células a sobreviver, possivelmente através de interações de curta duração com outras células.
 

Cristina Lo Celso, a líder do estudo, referiu que, agora que sabem que as células não se escondem, podem explorar por que tal acontece e como o seu movimento as ajuda a sobreviver. Assim, como próximo passo, os investigadores vão tentar impedir a sua movimentação e verificar se tal elimina as células resistentes ao tratamento.
 

O estudo também apurou que estas células atacam ativamente as células ósseas, conhecidas por apoiar uma produção de sangue saudável.
 

Delfim Duarte, um dos coautores do estudo, refere que este estudo apoia a ideia de que, pelo menos nesta leucemia, as novas terapias devem ter por alvo as células cancerígenas e não as células do estroma saudáveis, de forma a erradicar melhor a doença.
 

“O nosso trabalho também sugere que a proteção das células normais do estroma do osso em relação ao ataque das células de leucemia pode ter amplas implicações no apoio à produção de células sanguíneas saudáveis. A manutenção dos níveis de glóbulos pode impedir a anemia, infeção e hemorragia”, concluiu Edwin Hawkins, um outro coautor do estudo.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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