Células inatas memorizam os vírus para impedir infecção

Estudo publicado na revista “PLoS Pathogens”

30 setembro 2011
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Investigadores de várias universidades têm mostrado que as células do sistema imunológico inato possuem "memória" e protegem contra doses de vacinas de vírus vivos que de outra forma seriam letais. O estudo, publicado na revista “PLoS Pathogens” contradiz as teorias anteriores que afirmam que apenas as células B e T têm memória para evitar futuras infecções.

 

A descoberta, realizada por investigadores do Beth Israel Deaconess Medical Center, a Harvard Medical School, a Hebrew University e a Duke University, EUA, tem implicações potencialmente importantes para a concepção de futuras vacinas, particularmente para o VIH (vírus causador da sida).

 

A "memória" imunológica é uma construção do sistema imune para responder mais eficazmente aos patógenos (como bactérias e vírus) com que o corpo se cruzou anteriormente. Tradicionalmente, pensava-se que a "memória" imunológica residia dentro das células do sistema imunológico adaptativo (linfócitos B e T) que reconhecem partes muito específicas de patógenios através de receptores específicos.

 

Este estudo, liderado por Geoffrey Gillard, mostra que uma população de células do sistema imune inato de, chamadas natural killer (NK) têm "memória" perante a infecção por um vírus de vacina, apesar da faltarem os destinatários tradicionais da "memória" de outras células. A transferência de células NK a ratinhos imunodeficientes foi suficiente para protegê-los contra a exposição, geralmente letal do vírus de uma vacina.

 

Dado que a população de células NK não possui os receptores que permitem que os linfócitos  B e T desenvolvam uma resposta de "memória" específica aos patógenios, o estudo levanta questões importantes sobre como as células NK são capazes de reconhecer os vírus numa segunda exposição.

 

Perceber como a função inata de memória actua é fundamental para a criação de vacinas mais eficazes no futuro, especialmente no contexto de uma vacina contra o VIH. As capacidades de "memória" das células NK e, especialmente, a sua capacidade de responder muito rapidamente, podem ser úteis no controlo precoce da infecção pelo VIH, limitando a capacidade do vírus para atacar o sistema imunológico nas primeiras fases da infecção.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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