Células imunitárias das cavidades ajudam na reparação rápida dos tecidos

Estudo publicado na revista “Cell”

27 abril 2016
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Há muito que a comunidade científica sabe da existência de células nas cavidades que rodeiam vários órgãos, como o coração, pulmão e fígado, contudo as suas funções têm permanecido desconhecidas. Um estudo publicado na revista “Cell” vem agora revelar que estas células desempenham um papel importante na reparação rápida dos tecidos.
 

No estudo, os investigadores da Escola de Medicina de Cumming, no Canadá, focaram-se num tipo de células imunitárias, os macrófagos, que estão envolvidas na eliminação de substâncias prejudiciais, microrganismos (como toxinas e bactérias) e tecido morto.   
 

Com base na análise das células da cavidade abdominal que rodeiam o fígado, os investigadores demonstraram que, após danos nos órgãos, os macrófagos que “patrulham” este local aderem à área afetada para que a reparação dos tecidos ocorra rapidamente.
 

Jing Wang, o líder do estudo, refere que se pensava que após uma lesão os monócitos, um tipo de células imunitárias encontradas no sangue, eram recrutados para o local do dano, movimentavam-se para fora dos vasos sanguíneos e em dois ou três dias eram submetidos a um processo de maturação, dando origem aos macrófagos.
 

No entanto, os investigadores verificaram que os macrófagos maduros já se encontram na cavidade e são capazes de se infiltrar no local da lesão, em órgãos viscerais, diretamente, iniciando assim uma reparação rápida e imediata.
 

Através da utilização de modelos animais, os investigadores utilizaram imagem intravital para visualizar as células em tempo real e observar o seu comportamento em resposta a lesões térmicas ou induzidas por uma toxina.
 

O estudo apurou que as células se comportavam de igual forma para os dois tipos de lesão. Adicionalmente verificou-se que quando os macrófagos eram eliminados da cavidade abdominal, a reparação dos tecidos não ocorria tão rapidamente. No entanto, quando estas foram reinfundidas o processo de reparação voltou rapidamente à normalidade.
 

Apesar de o estudo apenas ter analisado as células na cavidade abdominal e como estas reagiam à lesão hepática, na opinião do investigador é razoável supor que as células das outras cavidades corporais, tais como a cavidade pleural, que envolve os pulmões, e a cavidade do pericárdio em torno do coração, levam a cabo funções semelhantes. Adicionalmente, apesar de as experiências terem sido realizadas em modelos animais, Jing Wang considera que estes achados podem ter também implicações para os seres humanos.

 

De acordo com o investigador, esta descoberta pode ter implicações específicas para procedimentos clínicos e cirúrgicos que normalmente “limpam” a cavidade em causa para eliminar quaisquer agentes patogénicos estranhos. No entanto, o estudo sugere que esta ação pode dificultar o processo de cura ao eliminar os macrófagos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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