Células fetais influenciam saúde materna ao longo e após a gravidez

Estudo publicado na revista “Bioessays”

01 setembro 2015
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Investigadores americanos demonstram que, durante a gravidez, as células do feto migram através da placenta ficando residentes em várias áreas do organismo da mãe onde podem beneficiar ou prejudicar a saúde materna, dá conta um estudo publicado na revista “Bioessays”.
 

A presença de células fetais no tecido materno é conhecido como quimerismo fetal. O termo faz alusão às quimeras da mitologia grega, criaturas compostos por diferentes partes de animais.
 

“As células fetais podem atuar como células estaminais e diferenciarem-se em células epiteliais, células cardíacas especializadas, células do fígado e assim por diante. Isto mostra que elas são muito dinâmicas e desempenham um papel importante no organismo materno. Elas podem até mesmo migrar para o cérebro e diferenciarem-se em neurónios. Somos todos quimeras”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Amy Boddy.
 

Apesar de o quimerismo fetal ocorrer nos mamíferos placentários, incluindo os humanos, os efeitos destas células na saúde materna é um tema de intenso debate na comunidade científica. Neste estudo os investigadores da Universidade do Estado de Arizona, nos EUA, decidiram fazer uma revisão da literatura disponível sobre o quimerismo fetal e a saúde humana
 

As células fetais podem fazer mais do que simplesmente migrarem para tecidos maternos. De acordo com os autores, estas células, que podem persistir nos tecidos maternos décadas após o bebé ter nascido, têm sido associadas à proteção e aumento da suscetibilidade de várias condições, incluindo cancro e doenças autoimunes, como a artrite reumatóide.
 

Alguns estudos sugerem que as células fetais podem manter uma relação de cooperação com alguns tecidos maternos, competir por recursos noutros tecidos e podem existir como entidades neutras. É provável que as células fetais adotem cada um destes papéis em vários momentos distintos.
 

As células fetais podem, por exemplo, contribuir para a resposta inflamatória e autoimunidade na mãe, quando são reconhecidas como entidades estranhas pelo sistema imunitário da mãe. Por outro lado, estas células podem ser também benéficas, pois podem migrar para os tecidos danificados e ajudar na sua reparação. Há outros casos em que as células fetais podem ser levadas pela corrente sanguínea para áreas como o pulmão, permanecendo apenas como meras espetadoras.
 

O estudo sugere também que as células fetais podem controlar as vias  neuronais que supervisionam as emoções e comportamento. Elas podem, por exemplo, ativar os mecanismo de produção da oxitocina, uma hormona associada à ligação emocional entre a mãe e o recém-nascido.
 

Na verdade, as células fetais podem influenciar uma vasta gama de manifestações físicas e emocionais na mãe, desde os enjoos matinais à depressão pós-parto.
 

Os investigadores referem que o quimerismo fetal pode ser apenas um peça de um enorme e complexo puzzle. Na verdade o tráfego celular é bidirecional. As células fetais do tecido materno podem atravessar a placenta durante as gravidezes subsequentes, influenciando também a saúde do próximo descente. Para complicar ainda mais, as células fetais da última descendência também podem atravessar a placenta e entrarem na arena microquimérica, podendo ocorrer rivalidades entre células fetais de irmãos para com os recursos limitados da mãe.
 

A células fetais podem, eventualmente, fornecer um novo e poderoso meio de diagnóstico de condições existentes e prever a saúde materna a longo prazo. Os autores concluem que estas podem também ajudar no tratamento de uma lactação deficiente, na cicatrização de feridas, na redução de tumores e, talvez, em distúrbios psicológicos associados à gravidez.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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