Células estaminais reparam músculo cardíaco danificado

Estudo publicado na revista “The Lancet”

16 fevereiro 2012
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A infusão de células estaminais cardíacas, em pacientes que tenham sofrido um enfarte agudo do miocárdio, pode ajudar na regeneração do músculo cardíaco, revela um estudo publicado na revista “The Lancet”.

 

Para o estudo, os investigadores do Cedars-Sinai Heart Institute, em Los Angeles, EUA, contaram com a participação de 25 pacientes, com uma média de 53 anos, que tinham sofrido um enfarte agudo do miocárdio.

 

Os participantes foram divididos em dois grupos: 8 receberam o tratamento convencional, incluindo a prescrição de medicamentos, exercício e dieta apropriada, enquanto os restantes 17 receberam infusões das células estaminais criadas a partir do tecido cardíaco do próprio paciente.

 

O procedimento foi minimamente invasivo, e consistiu na remoção de pequenos pedaços de músculo cardíaco, do tamanho de meia uva passa, com o auxílio de um cateter e sob o efeito de anestesia local. Este tecido do músculo cardíaco foi utilizado para a produção das células estaminais.

 

Cada paciente recebeu então uma infusão entre 12 a 25 milhões das suas próprias células estaminais, através de um procedimento também minimamente invasivo.

 

O estudo revelou que não foram detetadas complicações 24 horas após a infusão. Ao fim de seis meses foi verificado que, em comparação com os pacientes do grupo de controlo, os que receberam a infusão das células estaminais apresentaram uma diminuição significativa no tamanho das cicatrizes, aumento da massa cardíaca viável, contratilidade regional e espessamento sistólico.

 

Os investigadores verificaram ainda que, ao fim de um ano, os indivíduos que tinham recebido a infusão das células estaminais apresentaram, em média, uma diminuição de 50% nas cicatrizes provocadas pelos enfartes agudos do miocárdio. Contudo, não se observaram diferenças entre os dois grupos no se refere ao volume diastólico final, ao volumo sistólico final e à fração de ejeção do ventrículo esquerdo, ao fim de seis meses.

 

O líder do estudo, Eduardo Marbán, revelou, em comunicado de imprensa, que “estes resultados mostraram que este tipo de tratamento é seguro e poderá ajudar na cicatrização e reconstrução do tecido do músculo cardíaco. Isto nunca foi conseguido antes, apesar de se ter passado quase uma década a fazer terapia com células em pacientes com enfartes agudos do miocárdio. Agora conseguimos. Os efeitos são substanciais, e surpreendentemente melhores do que os obtidos em testes realizados em animais”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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