Células estaminais podem sofrer mutações e originar cancros

Declarações de investigador português no âmbito do “Porto Cancer Meeting”

11 maio 2015
  |  Partilhar:
As células estaminais, fundamentais na formação e manutenção dos órgãos, podem sofrer mutações e dar origem a vários tipos de cancro, declarou o investigador do The Francis Crick Institute, do Reino Unido, Dinis Calado.
 
“Vários tipos de cancro têm origem nestas células, que por si só não têm uma capacidade proliferativa muito grande, mas que, devido a mutações que poderão ocorrer, perdem essa restrição e acabam por proliferar muito. O tumor é constituído por vários tipos de células e dentro desses grupos de células existirão algumas que têm uma capacidade percussora do tumor”, explicou à Lusa o investigador no âmbito do “Porto Cancer Meeting”, que decorreu no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), subordinado ao tema “Células Estaminais e o Cancro”.
 
“Tentar perceber como é que células estaminais normais funcionam talvez ajude a perceber como é que essas células cancerígenas que poderão ter características de células estaminais nos tumores poderão ser eliminadas. E, assim, fazer com que os tratamentos sejam mais eficazes”, sublinhou.
 
O investigador revelou ainda algum do trabalho que desenvolve no Francis Crick Institute: “tentamos modelar doenças cancerosas do foro sanguíneo, tais como leucemia e linfomas. Fazemos uma comparação de tumores entre espécies para tentar encontrar mutações que são conservadas de forma evolutiva. Apesar de sermos muito diferentes dos ratinhos, como é óbvio, a formação de cancros tem mutações que são idênticas. Às vezes, o que acontece em tumores humanos é que há muitas mutações e não sabemos quais as que devemos estudar. Então, uma comparação entre espécies diferentes poderá ajudar-nos a priorizar quais as mutações a estudar”.
 
Dedicado ao tema “Células Estaminais e o Cancro”, a 23ª edição do “Porto Cancer Meeting” reuniu especialistas portugueses na área a trabalhar em centros de investigação nacionais, investigadores portugueses que estão no estrangeiro em centros de referência nesta matéria e ainda especialistas estrangeiros vindos de todo o mundo.
 
O principal objetivo é “conseguir juntar, num ambiente informal, vivo e cientificamente dinâmico, investigadores, estudantes e todos os que trabalham em cancro na discussão à volta de um tema chave do cancro. Aliás, tem sido hábito do ‘Porto Cancer Meeting’ promover, durante e após a reunião, a interação entre grupos, criando as condições para novas colaborações, ou seja, aumentar as parcerias de investigação e a mobilidade de estudantes”, salienta a organização.
 
Este ano, as comunicações centraram-se na relevância das células e das características estaminais no cancro para a progressão tumoral, nomeadamente a sua agressividade, heterogeneidade e resistência à terapia.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.