Células estaminais podem reparar articulações danificadas

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

12 outubro 2016
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Investigadores americanos identificaram células estaminais que podem dar origem a nova cartilagem e reparar as articulações danificadas, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 

Os investigadores da Universidade da Columbia, nos EUA, constataram que, quando estas células, que residem na articulação temporomandibular (que estabelece a união da mandíbula ao crânio), foram manipuladas em animais com degeneração nesta articulação, foi possível reparar a cartilagem. Um único transplante de células gerou espontaneamente cartilagem e osso.
 

Atualmente, as opções do tratamento para a disfunção temporomandibular incluem cirurgia ou cuidados paliativos, que apenas tratam os sintomas, mas não são capazes de regenerar o tecido danificado.
 

A cartilagem ajuda a amortecer o impacto nas articulações e permite que estas se movimentem suavemente. O tipo de cartilagem presente na articulação temporomandibular é a fibrocartilagem, que também pode ser encontrada no menisco e nos discos intervertebrais. Uma vez que a fibrocartilagem não pode tornar a crescer ou curar, qualquer lesão ou doença que danifique este tecido pode levar à incapacidade permanente.
 

Já há algum tempo que os cientistas têm explorado a utilização de células estaminais no âmbito da regeneração da cartilagem. Contudo, como pode ocorrer rejeição, os investigadores têm explorado formas de utilizar as células estaminais que existem no organismo do próprio paciente.
 

Foi neste contexto que os investigadores, liderados por Mildred C. Embree, isolaram células estaminais de fibrocartilagem, tendo verificado que estas eram capazes de formar cartilagem e osso tanto in vitro, como quando implantadas em ratinhos. Apesar de algumas abordagens para regenerar tecido danificado necessitarem de fatores de crescimento ou biomateriais para as células crescerem, os cientistas verificaram que as células estaminais da fibrocartilagem cresceram e desenvolveram-se espontaneamente.
 

O estudo também identificou um sinal molecular, o Wnt, que elimina as células estaminais da fibrocartilagem e provoca a degeneração da cartilagem. A injeção de uma molécula capaz de bloquear a Wnt na articulação temporomandibular degenerada nos ratinhos estimulou o crescimento da cartilagem e curou a articulação.
 

Atualmente, os investigadores estão à procura de moléculas pequenas que possam ser utilizadas para inibir a Wnt e promover o crescimento das células estaminais da fibrocartilagem.
 

A investigadora referiu que as crianças com artrite idiopática juvenil podem ter o crescimento da mandíbula atrofiado e que esta condição não pode ser tratada com os fármacos existentes. Uma vez que a articulação temporomandibular é um centro de crescimento para o maxilar, estes achados podem ajudar a compreender como a mandíbula cresce e se desenvolve.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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