Células estaminais podem ajudar na recuperação de traumatismo cranioencefálico

Estudo publicado no “Cell Transplantation”

03 maio 2016
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Células estaminais neurais transplantadas podem apresentar efeitos benéficos e reduzir a resposta inflamatória gerada pelo traumatismo cranioencefálico, revela um estudo publicado no “Cell transplantation”.
 

O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de mortalidade e morbilidade, assim como um dos responsáveis por incapacidades permanentes em sobreviventes. O tratamento do TCE tem sido limitado a cuidados de suporte, embora as terapias com células estaminais tenham vindo a sugerir a possibilidade de recuperação deste tipo de lesões.
 

Neste estudo, cientistas da Universidade do Texas, em Galveston, EUA, transplantaram células estaminais neurais humanas (hNSC, em inglês) em cérebros de modelos de ratinho de TCE para verificar se o sistema imunitário dos animais e as células estaminais seriam capazes de trabalhar em conjunto para promover a reparação dos danos cerebrais.
 

“A característica atrativa das hNSC reside na sua natureza única de se diferenciarem em diversas linhagens de células neurais”, refere Ping Wu, um dos autores do estudo. “Colocámos a hipótese de a transplantação de hNSC poder apresentar vários tipos de benefícios enquanto estratégia terapêutica protetora para lesões cerebrais ao afetar positivamente o microambiente pós-lesão e ao substituir as células neurais perdidas”, acrescentou.  
 

Os cientistas testaram dois tipos de células estaminais nos modelos animais: células estaminais mesenquimais (MSC, em inglês) e células estaminais neurais humanas (as hNSC).
 

A investigação revelou que os animais que foram transplantados com hNSC apresentaram uma “acumulação significativamente reduzida da proteína percursora de amiloide” (APP, em inglês), um indicador de lesão axonal. Além disso, registou-se ainda um aumento de proteínas anti-inflamatórias de células microgliais do subtipo protetor M2.
 

De acordo com os cientistas, isto sugere que as hNSC possuem a capacidade de minimizar os danos nas células neurais, levando estas a diferenciarem-se do subtipo prejudicial M1 para o subtipo protetor M2. Enquanto as células do subtipo M1 possuem características tóxicas, as do subtipo M2 promovem a resposta regeneradora no sistema nervoso central.
 

Os investigadores não utilizaram fármacos imunossupressores no transplante celular. Apesar de as hNSC possuírem uma vida curta sem imunossupressão, estas foram capazes de, ainda assim, reduzir a resposta inflamatória. Como tal, os cientistas sugerem verificar, em futuros estudos, se a imunomodulação mediada por células estaminais é afetada pela imunossupressão pós-transplantação.
 

Além disso, sugerem ainda que poderá ser interessante investigar no futuro de que forma as células em regiões distantes do local da lesão no cérebro respondem à lesão traumática e ao enxerto celular.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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