Células estaminais neuronais podem restaurar função cognitiva após quimioterapia

Estudo publicado na revista “Cancer Research”

19 fevereiro 2015
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Os tratamentos com células estaminais neuronais humanas parecem ajudar a reverter os problemas de memória e aprendizagem que ocorrem após a quimioterapia, dá conta um estudo publicado na revista “Cancer Research”.
 

A utilização frequente de quimioterapia para o combate de múltiplos cancros pode conduzir a disfunções cognitivas severas que podem persistir e manifestarem-se de diferentes formas após a finalização dos tratamentos em cerca de 75% dos sobreviventes.
 

Muitos dos agentes quimioterápicos utilizados para tratar diferentes tipos de cancros despoletam a inflamação no hipocampo, uma região do cérebro responsável por muitas capacidades cognitivas como aprendizagem e memória. Esta inflamação pode destruir os neurónios e outro tipo de células cerebrais.
 

Adicionalmente, estes compostos tóxicos podem danificar a estrutura conetiva dos neurónios, denominadas por dendritos e axónios, e alterar a integridade das sinapses - ligações vitais que permitem aos neurónios transmitirem sinais químicos e elétricos através do cérebro.
 

“Em muitos casos, os pacientes são alvo de falhas cognitivas severas progressivas e debilitantes. Para os pacientes com cancro pediátrico, os resultados podem ser particularmente devastadores, conduzindo a um QI reduzido, comportamento associal e diminuição da qualidade de vida”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Charles Limoli.
 

No estudo, os investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, transplantaram células estaminais neuronais adultas no cérebro de ratinhos após estes terem sido submetidos à quimioterapia. As células migraram através do hipocampo e diferenciaram em múltiplos tipos de células neuronais. Verificou-se também que estas células despoletaram a secreção de fatores de crescimento neurotróficos que ajudaram a reconstruir os neurónios danificados.
 

O estudo apurou ainda que as células transplantadas protegeram os neurónios hospedeiros, evitando consequentemente a perda ou promovendo a reparação dos neurónios danificados e as suas estruturas finas, as espinhas dendríticas.
 

“Este estudo sugere que as terapias com células estaminais podem um dia ser implementadas na clínica de forma a fornecer alívio aos pacientes com distúrbios cognitivos resultantes dos tratamentos contra o cancro”, conclui, o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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