Células estaminais neurais poderão resistir à radiação

Estudo publicado na “Stem Cells”

02 setembro 2013
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Um estudo conduzido na Johns Hopkins University School of Medicine, EUA, sugere que as células estaminais neurais poderão regenerar-se após terem sido submetidas a radiação.

 

Até à data acreditava-se que as células do cérebro saudáveis não possuíam a capacidade de se regenerarem após terem sido danificadas no processo de radiação para eliminar tumores cerebrais.

 

Esta pesquisa conduzida em ratos parece demonstrar que, ao contrário do que acreditam os cientistas, as células do cérebro saudáveis são resistentes à radiação e parecem despertar de uma espécie de estado de hibernação e reproduzirem-se, gerando novas células que podem migrar e substituir as células danificadas, restituindo assim as funcionalidades perdidas.

 

A equipa de investigadores analisou o impacto da radiação nas células neurais estaminais de ratos, através de testes às respostas dos roedores a lesões cerebrais subsequentes. Semanas após terem recebido a radiação, os cientistas produziram uma lesão cerebral nos ratos, semelhante às da esclerose múltipla. Foi observado que as células estaminais neurais na zona radiada do cérebro geraram células novas que se deslocaram para a zona afetada, para defender as células que tinham sido danificadas.

 

Alfredo Quiñones-Hinojosa, professor de neurocirurgia na Johns Hopkins University School of Medicine e líder do estudo explica que “estes ratos têm danos cerebrais mas isso não significa que sejam irreparáveis”. O investigador acrescenta que “o cérebro possui capacidades inatas para se regenerar e esperamos poder tirar vantagens disso”.

 

Esta descoberta poderá ter impacto sobre pacientes com cancro no cérebro, com doenças neurológicas progressivas, como Parkinson e esclerose múltipla, em que as funções cognitivas do cérebro sofrem danos permanentes ao longo do tempo. “Se conseguirmos libertar este potencial em humanos, poderemos ajudá-los (os pacientes) a recuperar de tratamentos de radiação, AVC, traumatismos cerebrais, e muito mais”.

 

O investigador líder deste estudo explica que “acontece que apesar de serem atingidas fortemente pela radiação, as células estaminais neurais são como as forças especiais, na retaguarda à espera de serem ativadas”. O investigador planeia que “agora temos que descobrir como vamos desencadear o potencial dessas células para reparar os danos aos cérebros humanos”.

 

No entanto, é preciso encarar esta descoberta com precaução, adverte Alfredo Quiñones-Hinojosa, já que as células estaminais neurais já foram associadas ao desenvolvimento de tumores cerebrais. Isso poderia explicar a razão pela qual o glioblastoma, a forma mais agressiva e mortífera de cancro no cérebro é tão difícil de tratar com radiação.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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