Células estaminais da placenta poderão ajudar no tratamento de doenças oculares

Estudo publicado no “Cell Transplantation”

30 outubro 2015
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Um novo estudo levado a cabo por cientistas sul-coreanos em modelos animais demonstrou que as células estaminais mesenquimais (MSC) são capazes de segregar fatores de crescimento para suprimir as causas da retinopatia diabética e da degenerescência macular.
 
Investigadores da Universidade CHA, em Seul, na Coreia do Sul, realizaram com sucesso o transplante de MSC derivadas de membranas amnióticas de placenta humana (AMSC) em ratinhos alterados para apresentar retinopatia induzida por oxigénio. Este tratamento tinha por objetivo a supressão do crescimento anormal de vasos sanguíneos (angiogénese) responsável por várias doenças oculares, entre elas a retinopatia diabética e a degenerescência macular da idade.
 
As MSC são utilizadas na terapia genética devido à capacidade de se auto-renovarem e diferenciarem em variados tipos de células especializadas, como osteoblastos (células que contribuem para a formação óssea), condrócitos (células da cartilagem), adipócitos (células adiposas), miocardiócitos (células do músculo cardíaco) e células semelhantes a neurónios (células do sistema nervoso).
 
Além disso, as MSC possuem ainda a capacidade de modular a resposta imunológica e reduzir a inflamação local. Este tipo de células podem ser isoladas a partir de diversas fontes, como tecido adiposo, tendões, sangue periférico, sangue do cordão umbilical, placenta humana e da medula óssea. As MSC têm sido transplantadas em modelos de diversas doenças, tendo apresentado resultados promissores.
 
De acordo com os cientistas, as AMSC, ou seja as MSC derivadas da placenta humana, são mais ricas em fatores de crescimento do que as derivadas de outras fontes devido essencialmente ao seu papel no desenvolvimento fetal. 
 
De entre os fatores de crescimento segregados pelas AMSC encontram-se os fatores de crescimento do endotélio vascular (VEGF, sigla inglesa) e o Fator Derivado do Epitélio Pigmentar (PEDF, sigla inglesa), um inibidor natural da angiogénese. Além disso, realçam os autores em comunicado de imprensa, os tecidos placentais abundam mais em relação a outras fontes de MSC, sendo também mais fácil isolar MSC a partir destes tecidos ricos em fatores de crescimento. 
 
“MSC derivados da placenta possuem funções imunomodeladoras poderosas”, revela Jisook Moon, co-autor do estudo.
 
No estudo levado a cabo na universidade sul-coreana os cientistas administraram AMSC nos modelos animais através de injeção intraperitoneal e detetaram que as células transplantadas foram capazes de migrar do local da injeção para o local da lesão, ou seja, a retina. 
 
“A barreira hematoencefálica (BHE) restringe a permeação de moléculas e células através do sistema circulatório para o sistema nervoso central. Confirmar que as AMSC eram capazes de atravessar a BHE foi crucial para esclarecer se estas células poderiam ser candidatos viáveis para o tratamento da retinopatia”, explicou Jisook Moon.
 
Apesar de serem necessários mais estudos para confirmar o efeito das AMSC em doenças neovasculares, os autores acreditam que esta investigação lançou nova luz sobre os mecanismos através dos quais estas células exercem os seus efeitos terapêuticos.
 
Cesar Borlongan, Presidente da Sociedade Internacional de Células Estaminais da Placenta afirma que “apesar de ainda não se saber quão eficiente o transplante de AMSC poderá ser para o tratamento de doenças oculares em humanos, este estudo pode ser considerado um degrau no melhoramento da viabilidade da terapia com células estaminais na prática clínica”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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