Células estaminais: as embrionárias parecem mais promissoras

Revela estudo científico

07 setembro 2002
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As células sanguíneas estaminais adultas são incapazes de se transformarem noutros tipos de tecidos, conclui um estudo norte- americano que levanta dúvidas sobre a sua utilidade no tratamento de órgãos.
 

 

Este desenvolvimento suporta a teoria de que as células estaminais embrionárias são as que oferecem uma via mais promissora no tratamento de doenças cardiovasculares, lesões espinais, diabetes e Parkinson, dizem alguns investigadores.
 

 

No entanto, muitas pessoas, incluindo o presidente norte- americano George W. Bush, opõem-se à utilização de células estaminais embrionárias na investigação médica, argumentando que isso implicaria a morte do embrião.
 

 

Cientistas da Universidade de Stanford tentaram traçar a evolução das células sanguíneas estaminais adultas depois de as colocarem em ratinhos com a medula óssea previamente destruída por radiação.
 

 

O objectivo era mostrar como uma única célula produtora de sangue se poderia desenvolver em milhões de outras, incluindo, provavelmente, de outros tecidos do corpo.
 

 

Em vez disso, explicou Amy J. Wagers, autora principal do estudo, o grupo descobriu que as células estaminais do sangue preencheram a medula óssea mas praticamente não produziram qualquer outro tipo de tecido.
 

 

Wagers disse que o estudo sugere fortemente que as células estaminais do sangue produzem apenas uma coisa, ou seja, sangue.
 

 

Fazer pele, neurónios, músculos ou tecido hepático, propriedades que alguns investigadores atribuíram a estas células estaminais, "é um acontecimento extremamente raro", que provavelmente não seria útil no tratamento da doença, disse.
 

 

"Obtivemos apenas um neurónio a partir de milhões de células", continuou Wagers.
 

 

"Com o fígado a frequência foi de apenas uma em 70.000. Pode acontecer, mas não é fiável", sublinhou.
 

 

O estudo, publicado na edição desta semana da revista Science, faz parte de um novo campo de investigação direccionada para a medicina regenerativa, que poderá curar ou controlar as doenças através da substituição de células defeituosas ou velhas por novas células obtidas a partir das estaminais.
 

 

Os peritos acreditam que as células estaminais podem eventualmente ser cultivadas em novos tecidos que poderiam ser utilizados para substituir ou tratar órgãos defeituosos ou doentes.
 

 

Cientistas em vários laboratórios de todo o mundo concentram agora os seus trabalhos em dois tipos básicos de células estaminais.
 

 

As somáticas, ou adultas, e as embrionárias, provenientes de embriões que crescem até um certo ponto e são depois mortos para que elas sejam recolhidas.
 

 

A administração Bush delineou um conjunto de regras com o objectivo de controlar a aplicação dos fundos federais na investigação com células estaminais embrionárias, não havendo qualquer restrição ao estudo de células estaminais adultas.
 

 

Segundo algumas autoridades, os estudos com células estaminais embrionárias são desnecessários, uma vez que, alegam, as células estaminais adultas, quando cultivadas de forma apropriada, podem crescer noutro qualquer tipo de tecido celular para tratamento médico.
 

 

Mas o trabalho de Wagers e outros sugere que as células estaminais adultas oferecem apenas uma promessa incerta de alguma vez serem úteis à medicina.
 

 

Para Dennis A. Steindler, um investigador na área das células estaminais da Universidade da Florida, ainda é cedo para decidir "qual o tipo de célula estaminal que será mais útil para a medicina".
 

 

"Falta ainda aprender muito sobre o possível uso de células estaminais adultas na terapia", disse.
 

 

"O campo da medicina regenerativa está agora a dar os primeiros passos. Existe uma série de experiências que temos de fazer para percebermos de que forma as células estaminais podem ser usadas para curar doenças", acrescentou.
 

 

Segundo o investigador, a maioria dos peritos acredita que tanto a investigação com células estaminais adultas como com as embrionárias deve prosseguir com determinação.
 

 

Steindler admitiu que os dois tipos de células encontrem eventualmente um lugar na medicina, advogando que a prudência pede a continuação das duas correntes de investigação.
 

 

Fonte: Lusa

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