Células estaminais ajudam a tratar cataratas congénitas

Estudo publicado na revista “Nature”

14 março 2016
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Uma equipa internacional de investigadores desenvolveu uma nova abordagem de medicina regenerativa para eliminar as cataratas congénitas nos recém-nascidos, que envolveu a utilização de células estaminais endógenas, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 

O tratamento, testado em animais e num pequeno ensaio clínico, produziu muito menos complicações cirúrgicas do que os atuais tratamentos e resultou na regeneração do cristalino com uma função visual superior.
 

As cataratas congénitas são uma importante causa de cegueira nas crianças. O cristalino opaco obstrui a passagem de luz na retina e a informação visual para o cérebro, o que resulta numa deficiência visual significativa. Os tratamentos atuais são limitados pela idade do paciente e complicações associadas. A maioria dos pacientes pediátricos necessitam de óculos corretivos após a cirurgia da catarata.
 

No estudo, os investigadores da Universidade da Califórnia, da Escola de Medicina de San Diego, nos EUA, em colaboração com cientistas chineses centraram-se no potencial regenerativo das células estaminais endógenas. Ao contrário das outras abordagens, que envolveram a produção de células estaminais em laboratório e a sua reintrodução no paciente, podendo eventualmente ocorrer transmissão de agentes patogénicos e rejeição por parte do sistema imunitário, as células estaminais endógenas são células que já se encontram no local da lesão. No caso do olho humano, as células estaminais epiteliais (LEC, sigla em inglês) geram células de substituição do cristalino ao longo da vida de um indivíduo. No entanto, esta produção diminui com a idade.
 

Atualmente as cirurgias das cataratas eliminam uma grande quantidade de LEC no cristalino. As células remanescentes crescem de uma forma desorganizada nos recém-nascidos e não são úteis para a visão. Após terem confirmado o potencial regenerativo das LEC em modelos animais, os investigadores desenvolveram uma cirurgia minimamente invasiva que preserva a integridade da cápsula do cristalino, uma membrana envolvida no funcionamento adequado do cristalino, e uma forma de estimular as LEC para crescerem e formarem um novo cristalino funcional.
 

Experiências realizadas em ratinhos e em humanos demonstraram que a nova técnica cirúrgica permitiu que as LEC pré-existentes se regenerassem em cristalinos funcionais. O ensaio clínico humano envolveu 12 crianças com menos de dois anos que foram tratadas com este novo procedimento e 25 tratadas com a cirurgia habitual. Este último grupo apresentou uma maior incidência de inflamação pós-operatória, desenvolvimento precoce de hipertensão ocular e aumento da opacidade do cristalino.
 

Por outro lado, as 12 crianças submetidas à nova cirurgia tiveram um menor número de complicações e uma cura mais rápida. Após três meses, formou-se um cristalino biconvexo regenerado em todos os olhos dos pacientes.
 

"O sucesso deste trabalho representa uma nova abordagem na forma como um novo tecido ou órgão humano pode ser regenerado e como a doença pode ser tratada, podendo ter um grande impacto nas terapias regenerativas, aproveitando o poder de regeneração do nosso próprio corpo", concluiu um dos autores do estudo, Kang Zhang.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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