Células estaminais adultas revelam capacidades de regeneração

Experiências efectuadas em ratinhos com miopatia

12 maio 2003
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Células estaminais adultas do músculo revelaram capacidades de reparação em ratinhos com paralisia progressiva que sofriam de uma forma de miopatia de origem genética, multiplicando por oito a esperança de vida dos animais, segundo cientistas franceses.
 

 

Os trabalhos foram realizados por uma equipa do Inserm (Instituto Nacional francês de Investigação Médica), coordenada por Judith Melki (uma perita em neurogenética molecular da Universidade de Evry-Val de Essonne), e publicados hoje na revista mensal Journal of Cell Biology.
 

 

Os resultados constituem «a primeira prova» das fantásticas capacidades de «reparação» das células estaminais do músculo em caso de deficiências musculares graves, próximas de uma doença humana, a amiotrofia espinhal progressiva.
 

 

No adulto, em caso de lesão muscular, o músculo formado por fibras reconstitui-se graças a células estaminais adultas, também chamadas de células satélite por gravitarem em redor das fibras musculares.
 

 

Para a demonstração, os investigadores criaram dois grupos de ratinhos transgénicos, portadores de uma mutação (falha) do gene «Smn», responsável pelas amiotrofias espinhais, tanto nas fibras musculares e células satélite, como nas fibras musculares adultas.
 

 

«A amiotrofia espinhal é a mais frequente das doenças genéticas após a mucoviscidose (doença crónica que afecta essencialmente a função respiratória). Uma em 35 pessoas é portadora dessa falha genética. Esta miopatia transmite-se quando os dois pais são portadores, o risco de ter uma criança afectada é então de um em quatro», indica Judith Melki.
 

 

Globalmente «a doença afecta uma criança em cinco mil nascimentos em toda a Europa», estimou. Os ratinhos em que apenas as células estaminais tinham o gene defeituoso desenvolveram uma forma de doença mais severa: paralisia motriz progressiva associada e apenas um mês de vida.
 

Pelo contrário, entre os animais cujas células estaminais estavam intactas, a doença ficou bastante atenuada: uma sobrevivência de oito meses e, graças a uma regeneração muito activa, com até 40 por cento do número total das fibras musculares reconstituídas, sem registo de qualquer défice muscular.
 

 

Mas esta regeneração da força e da massa dos músculos enfraquece, «esgota-se» com o tempo e «a evolução, ao fim de 12 meses, caminha na direcção da doença severa».
 

 

Estes resultados são, no entanto, suficientemente indicadores para desenvolver uma estratégia terapêutica das miopatias com base nestas células estaminais, na qual os ratinhos serão um modelo da doença humana de forma a avaliar os benefícios, segundo os investigadores.
 

 

Fonte: Lusa
 

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